A Argentina vai processar empresas que exploram petróleo nas proximidades das Ilhas Malvinas, informou o governo Javier Milei nesta terça-feira (15).
A medida amplia a campanha de Buenos Aires contra companhias que atuam no território ultramarino britânico, chamado de Falkland Islands pelo Reino Unido.
Segundo analistas, a iniciativa pode aumentar a tensão com o Reino Unido, especialmente se Buenos Aires passar a mirar outros setores da economia das ilhas.
Em 1982, a Argentina invadiu as ilhas e travou uma guerra de 10 semanas contra o Reino Unido. O conflito terminou com a rendição argentina e o controle britânico na ilha.
Em 2013, foi realizado um referendo sobre a soberania das Ilhas Malvinas, onde 99,8% dos votos foram favoráveis à permanência do arquipélago como um Território Ultramarino do Reino Unido
Empresas de petróleo são alvo
O jornal argentino Clarín informou que um promotor federal apresentou pedido para abrir investigação contra executivos e acionistas de petroleiras, como a israelense Navitas Petroleum e a britânica Rockhopper Exploration.
O governo Milei já havia apontado Navitas e Rockhopper como alvos, em meio à tentativa argentina de reforçar sua reivindicação de soberania sobre o arquipélago.
O porta-voz do governo argentino, Adrian Ravier, afirmou em coletiva que denúncias serão apresentadas contra empresas que atuam nas Malvinas, mas não citou nomes. A Navitas não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Rockhopper se recusou a comentar.
As duas empresas já haviam afirmado que o projeto do campo de petróleo tem licenças válidas do governo das Ilhas Malvinas e indicaram que não esperam que as ações de Milei impeçam o desenvolvimento.
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Reino Unido reage
O Reino Unido buscou tranquilizar empresas que atuam nas Ilhas Malvinas. Em orientações publicadas no site do governo, Londres afirmou que apoia todas as atividades econômicas legítimas no arquipélago.
Além disso, o governo de Andy Burnham defende o direito dos moradores de regular a própria economia e desenvolver recursos naturais, incluindo hidrocarbonetos.
“A posição do governo do Reino Unido é que a Argentina não tem o direito de exercer jurisdição sobre as Ilhas Malvinas nem de aplicar sua legislação interna nas ilhas”, afirmou o governo britânico.
Londres também declarou não ver base jurídica para que tribunais fora da Argentina façam valer medidas tomadas contra empresas que atuam no território.
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