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EUA admitem ter armas em órbita pela 1ª vez; China e Rússia reagem

Washington diz ter capacidades para defender forças contra adversários e não detalha quais armas estão no espaço

A espaçonave de carga Cygnus XL, da Northrop Grumman, com seus proeminentes painéis solares UltraFlex em formato de címbalo, é vista acoplada ao módulo Unity da Estação Espacial Internacional | Foto:NASA
A espaçonave de carga Cygnus XL, da Northrop Grumman, com seus proeminentes painéis solares UltraFlex em formato de címbalo, é vista acoplada ao módulo Unity da Estação Espacial Internacional | Foto:NASA

Os Estados Unidos confirmaram, pela primeira vez, que possuem armas implantadas em órbita da Terra. A declaração provocou reações imediatas da China e da Rússia, que alertaram para os riscos de uma militarização do espaço e de uma possível corrida armamentista.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (14), um porta-voz da Força Espacial dos Estados Unidos informou que o país possui “armas de controle espacial em órbita” capazes de defender as Forças Armadas americanas contra ações hostis de outros países.

Washington, no entanto, não informou quais armas foram colocadas em órbita nem quantos equipamentos estão em operação.

A confirmação representa uma nova etapa na disputa entre as principais potências militares pelo domínio do espaço. O avanço tecnológico na área ocorre em meio à ausência de um acordo internacional abrangente que regulamente o uso de armas no espaço.

China alerta para corrida armamentista

O governo chinês criticou a declaração americana e afirmou que a militarização do espaço pode transformar a região em um novo campo de batalha.

“Instamos os EUA a cessarem a expansão de suas capacidades militares e a se prepararem para a guerra no espaço sideral”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Pequim também pediu que os países evitem uma corrida armamentista no espaço.

A China e os Estados Unidos são rivais estratégicos e disputam avanços tecnológicos e militares em áreas como satélites, inteligência artificial e sistemas de defesa.

Rússia defende espaço sem armas

A Rússia também reagiu à confirmação americana. Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que o espaço deve permanecer “livre de todas as armas”.

“Há um amplo consenso internacional para continuarmos trabalhando em prol da completa desmilitarização do espaço”, declarou.

Que tipo de armas estão no espaço?

A Força Espacial americana não especificou quais equipamentos estão em órbita. A declaração menciona capacidades que podem ser usadas tanto para ações ofensivas quanto defensivas.

Entre os chamados meios não cinéticos estão tecnologias capazes de interferir ou prejudicar o funcionamento de satélites sem destruí-los fisicamente. Isso pode incluir lasers para danificar sensores, interferência eletromagnética e ataques cibernéticos contra sistemas de comunicação.

Satélites são fundamentais para operações militares porque permitem comunicação, navegação, vigilância e coleta de informações.

A Força Espacial dos EUA afirma que China e Rússia desenvolvem capacidades para atuar contra sistemas espaciais de outros países.

O que diz o tratado de 1967?

A possibilidade de colocar armas no espaço é discutida há décadas. Uma das principais preocupações durante a Guerra Fria era a instalação de armas nucleares em órbita.

Em 1967, Estados Unidos, União Soviética e outros países assinaram o Tratado do Espaço Sideral, que proíbe a colocação de armas de destruição em massa, incluindo armas nucleares, em órbita da Terra.

O tratado, porém, não proíbe de forma geral todos os tipos de armas ou tecnologias militares no espaço.

Desde então, Estados Unidos, Rússia, China e outros países desenvolveram tecnologias capazes de interferir ou atacar satélites. Em 2019, por exemplo, a Índia realizou um teste que destruiu um satélite em baixa órbita usando um míssil.

*Com informações da AFP

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