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Trump ameaça cortar comércio com UE após proposta ao Canadá

Premiê canadense recebeu positivamente convite de ser "membro associado" da União Europeia, ignorando ameaças americanas

Trump discursa em púlpito com o brasão presidencial, com bandeiras dos Estados Unidos ao fundo.
Presidente americano Donald Trump diz que vai impor tarifas ou deixar de comercializar com União Europeia (Crédito: Reprodução/Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou interromper o comércio com a União Europeia após o bloco propor tornar o Canadá seu primeiro “membro associado”, em meio a tensões comerciais com Washington.

Acho isso ridículo“, afirmou Trump na quarta-feira (16), ao ser questionado sobre a proposta da UE. “Se fizerem isso, se eu considerar que se trata de um ato hostil, vou impor tarifas muito altas ou deixar de comercializar com a Europa“, advertiu.

E completou “Se fizerem isso de boa fé, está tudo bem. Se fizerem com má intenção, vamos aplicar tarifas bem pesadas à Europa, o que é uma possibilidade”.

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Canadá recebe proposta da UE positivamente

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que recebe positivamente a proposta para que o Canadá se torne o primeiro “membro associado” da União Europeia, ignorando as ameaças do presidente americano Donald Trump.

O Canadá e o bloco de 27 países da União Europeia buscam elevar a relação bilateral a um novo patamar diante da postura agressiva de Trump, que ampliou essas preocupações ao ameaçar impor tarifas em resposta à aproximação entre Bruxelas e Ottawa.

Em discurso no Parlamento Europeu nesta quinta-feira (17), Carney declarou que o Canadá “recebe bem” a intenção manifestada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de transformar o país em membro associado.

“Não somos aliados de ocasião. Não buscamos acordos de soma zero. Compartilhamos valores comuns pelos quais sempre lutamos e em cuja defesa devemos permanecer sempre vigilantes”, disse Carney, recebendo aplausos dos parlamentares europeus.

“Canadá e Europa são fortes isoladamente. Juntos, Europa e Canadá se tornam ainda mais fortes.”

Carney reforçou que a aliança entre UE e Canadá pretende funcionar como um “farol para as democracias“, sem a intenção de “dominar outros países”, e citou diversas áreas em que deseja intensificar a cooperação.

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“Aproveito esta oportunidade para dizer claramente o que o Canadá propõe”, afirmou.

“Canadá e Europa devem garantir nossa autonomia estratégica por meio de uma cooperação profunda em todo o conjunto de capacidades estratégicas, incluindo minerais críticos, capacidade industrial de defesa, inteligência artificial e poder computacional, segurança energética, espaço e sistemas de pagamento.”

Ele afirmou ainda que a UE e o Canadá devem avançar rumo a um “comércio digital sem fronteiras” entre as duas partes e permitir que jovens de ambos os lados possam trabalhar e estudar nos dois extremos do Atlântico.

Cooperação pré-existente

Bruxelas e Ottawa já mantêm um alto nível de cooperação bilateral. Este ano, o Canadá se tornou o primeiro país fora da União Europeia a integrar um programa de referência de empréstimos para defesa do bloco.

Ottawa também espera fechar um acordo para que o Banco Europeu de Investimento financie projetos canadenses de minerais críticos, segundo o embaixador do Canadá junto à UE, Jonathan Wilkinson, em declaração à AFP.

O acordo comercial já vigente entre as partes gerou aumento de mais de 75% no intercâmbio bilateral “em menos de uma década”, afirmou Von der Leyen.

A visita de Carney a Estrasburgo é vista como preparação para uma cúpula entre UE e Canadá prevista para o mês seguinte, em Montreal.

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O que é ser “membro associado” da UE

Os tratados da União Europeia não preveem a possibilidade de um país se tornar “membro associado” do bloco. A ideia foi levantada pela primeira vez este ano pelo chanceler alemão Friedrich Merz, pensada, na época, para a Ucrânia.

Pelo modelo discutido para os ucranianos, o país teria permissão para participar das cúpulas do bloco e contar com um representante na Comissão Europeia, além de acesso a parte do orçamento comunitário, mas sem direito de voto pleno. A proposta foi recebida com frieza pela Ucrânia, que busca a adesão plena ao bloco europeu.

Ainda não sabemos muito bem o que isso significa“, disse o eurodeputado alemão de centro-esquerda Tobias Cremer, principal autor de uma resolução que pede o reforço da cooperação entre UE e Canadá, referindo-se à proposta de Von der Leyen.

Pelas regras do bloco, qualquer forma de associação com um país terceiro precisa ser aprovada pelos Estados-membros. Ainda não está claro qual será a receptividade da proposta entre as capitais europeias.

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