As principais redes de televisão dos Estados Unidos suspenderam nesta segunda-feira (21) a participação no sistema de cobertura compartilhada da Casa Branca, em solidariedade à CNN, após a emissora e outros dois veículos serem proibidos de acessar o complexo presidencial.
CNN, MS NOW e Politico entraram na Justiça contra o governo de Donald Trump depois que o presidente determinou, na semana passada, que os três veículos fossem impedidos de entrar na Casa Branca.
+Trump veta CNN e mais dois veículos de imprensa na Casa Branca
Na ação, as organizações afirmaram que a medida representa uma violação direta da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e pediram que a proibição seja derrubada imediatamente.
Pouco depois, ABC, CBS, CNN, Fox e NBC anunciaram a suspensão da participação no chamado pool televisivo da Casa Branca. A CNN estava escalada para cumprir a função nesta segunda-feira, registrando imagens em nome das demais emissoras.
Em comunicado conjunto, as redes disseram que o público tem interesse em receber informações independentes e precisas sobre o governo e defenderam que nenhuma administração deve restringir um veículo por discordar de sua cobertura.
Com o boicote, não haverá cobertura compartilhada da viagem de Trump à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde o presidente tem encontros previstos com líderes mundiais.
The major television networks are standing with CNN by declining to replace its White House pool crew after the Trump administration barred the network from fulfilling its assigned duties on Monday. https://t.co/7KgNaBMEF0 pic.twitter.com/MmHtmXLPny
— CNN (@CNN) September 21, 2026
Veículos recorrem à Justiça
A proibição foi anunciada na sexta-feira (18). No sábado, jornalistas da CNN, MS NOW e Politico tiveram o acesso à Casa Branca negado e suas credenciais foram confiscadas.
Segundo os três veículos, a medida foi adotada sem aviso prévio ou processo formal porque o governo se opôs à cobertura feita por eles.
As organizações afirmaram ainda que, se não for contestada, a decisão pode ameaçar a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente de interferência governamental.
Trump defende medida
Trump reagiu às críticas e negou que a decisão represente um ataque à imprensa.
Em publicação na Truth Social, afirmou que a Casa Branca não estava promovendo uma ofensiva contra a imprensa livre, mas contra o que chamou de “fake news”.
O presidente também classificou parte da mídia como um “câncer” e uma ameaça à segurança nacional.
Questionado na sexta-feira sobre o motivo da proibição, Trump disse que a decisão foi resultado do acúmulo de reportagens publicadas ao longo dos últimos dois anos. Ele também acusou os veículos de tentar prejudicar os republicanos e seu governo.
Trump afirmou ainda que outros meios de comunicação poderiam enfrentar medidas semelhantes, mas não informou quais.
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