O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um discurso abrangente na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22), a cerca de 100 dias do fim de seu mandato. Ele apresentou as principais crises globais não como problemas isolados, mas como diferentes manifestações de um embate central sobre como o poder é exercido e por quem.
“O maior poder não é o poder de dominar. É o poder de construir um futuro que funcione para todos“, declarou, ao apresentar o relatório anual da Organização.
Lula faz discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça
Guterres descreveu uma década de erosão de normas internacionais, citando civis sob ataque em guerras, trabalhadores humanitários mortos, o direito internacional “posto de lado” e a confiança entre nações cada vez mais fragilizada.
O secretário-geral afirmou que o próprio conceito de poder está sendo remodelado em três frentes, com o surgimento de novas potências estatais, a transferência expressiva de autoridade de governos para corporações e indivíduos privados e, por fim, o papel crescente da inteligência artificial e de armas autônomas em decisões antes reservadas a seres humanos.
“As fraturas em nosso mundo estão se alargando”, afirmou. “Rachaduras viraram cânions.”
Assembleia Geral da ONU começa terça-feira (22) em Nova York
Em vez de tratar a fragmentação como inevitável, o secretário-geral defendeu o fortalecimento da cooperação e a construção de uma rede verdadeiramente global, baseada na interdependência e em regras compartilhadas. Ele alertou contra o risco de o mundo se dividir em blocos rivais com sistemas econômicos e de segurança separados, cenário que tem chamado nos últimos anos de “Grande Fratura”.
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