A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno deste domingo (25), interrompeu uma sequência de vitórias da direita nas eleições presidenciais da América do Sul. Nos últimos três anos, candidatos conservadores chegaram ao poder em países como Argentina, Bolívia, Chile e Colômbia.
Com o resultado, o Brasil permanece entre os poucos países da região governados pela esquerda, em um cenário político bastante diferente daquele encontrado por Lula quando assumiu seu terceiro mandato, em janeiro de 2023.
Na época, Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia e Peru eram governados por lideranças de esquerda. Desde então, sucessivas eleições mudaram o equilíbrio político da região, com a chegada de presidentes conservadores e a aproximação de parte desses governos com os Estados Unidos de Donald Trump.
A primeira grande mudança ocorreu na Argentina, em novembro de 2023, quando Javier Milei derrotou o governista Sergio Massa nas eleições presidenciais.
O economista libertário chegou ao poder defendendo cortes nos gastos públicos, redução da participação do Estado na economia e uma política externa mais alinhada a Washington.
O avanço conservador ganhou força em 2025, na Bolívia, com a eleição de Rodrigo Paz. Sua vitória encerrou duas décadas de domínio político do Movimento ao Socialismo (MAS), partido fundado por Evo Morales.
Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, governou entre 2006 e 2019. Em 2020, foi sucedido por seu antigo aliado Luis Arce, também integrante do MAS.
No Chile, José Antonio Kast venceu a candidata governista Jeannette Jara em dezembro de 2025 e assumiu a Presidência em março de 2026.
A eleição de Kast encerrou o governo de Gabriel Boric, de esquerda, e marcou uma mudança nas prioridades políticas chilenas, com maior ênfase no combate à criminalidade, no controle da imigração e na redução da intervenção estatal.
A mudança mais recente ocorreu na Colômbia, em 2026, quando Abelardo de la Espriella derrotou Iván Cepeda, candidato de esquerda apoiado pelo então presidente Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana.
Nesse cenário, o mapa político da América Latina passou a ter uma predominância de governos de direita. No entanto, as duas maiores economias da região, Brasil e México, permanecem sob governos de esquerda, liderados por Lula e Claudia Sheinbaum, respectivamente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem buscado ampliar a influência de Washington na região por meio do apoio a candidatos politicamente alinhados, da realização de operações militares e da formação de uma aliança de segurança com 14 governos, denominada Escudo das Américas.
Lula está entre os poucos presidentes latino-americanos que tem se posicionado contra algumas das medidas de Washington. Celso Amorim, assessor especial do presidente para assuntos internacionais, afirmou recentemente que a aliança põe o Brasil num cerco.
O governo brasileiro também se posicionou contra a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais pelos Estados Unidos, afirmando que essa designação pode abrir espaço para ações americanas em território brasileiro e para a aplicação de sanções a empresas nacionais.
Em paralelo, Lula chegou a dizer que poderia aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, após o governo de Donald Trump taxar produtos do Brasil em 25%, e posteriormente, anunciar uma sobretaxa adicional de 12,5%.
Sancionada em 2025, a lei permite adotar medidas de resposta contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros.
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