Israel relembra o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, que completa três anos nesta quarta-feira (7). O atentado deixou 1.200 mortos e deu início à ofensiva militar responsável por destruir grande parte da Faixa de Gaza.
Um ano depois da entrada em vigor do cessar-fogo que deveria encerrar a guerra de vez, as condições de vida no território palestino continuam extremamente precárias.
Naquele dia, que se tornou o mais letal da história de Israel, os militantes também levaram 251 pessoas como reféns para Gaza. Desde então, os bombardeios e as operações terrestres israelenses mataram mais de 74 mil pessoas no enclave, segundo as autoridades de saúde locais.
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As cerimônias em memória das vítimas incluem uma vigília no local do festival de música Nova, perto da fronteira com Gaza, onde 348 jovens foram assassinados. Também está previsto um ato na Praça dos Reféns, em Tel Aviv.
Esta é a primeira vez que a data é lembrada sem nenhum refém em Gaza. Vivos e mortos foram devolvidos pelo Hamas em troca de palestinos presos em Israel, e os restos mortais do último refém israelense foram recuperados em janeiro.
Eleições em Israel
O aniversário ocorre ainda a 20 dias das primeiras eleições israelenses desde o ataque, vistas como um referendo sobre o longo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Netanyahu nega responsabilidade pela falha de segurança e resiste aos pedidos de uma investigação independente. A postura frustra parte dos israelenses, entre eles familiares de vítimas do ataque, e alguns desses parentes decidiram entrar na corrida eleitoral.
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Pesquisa do Instituto de Democracia de Israel mostra que 68% dos judeus israelenses consideram os acontecimentos de 7 de outubro um fator muito ou razoavelmente importante na escolha do partido em que vão votar.
As sondagens eleitorais indicam que, se a votação fosse hoje, nem Netanyahu nem seus principais adversários conquistariam cadeiras suficientes no Parlamento para formar uma coalizão.
Cessar-fogo mediado pelos EUA
Este também é o primeiro aniversário do ataque desde o cessar-fogo de 10 de outubro de 2025, mediado pelos Estados Unidos. O acordo pôs fim aos confrontos de maior escala, mas não conseguiu interromper os ataques israelenses em Gaza nem garantir o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados.
Pelos termos do cessar-fogo, Israel ficou com o controle de cerca de 53% de Gaza, área que suas tropas ampliaram desde então para quase dois terços. O terço restante está sob domínio do Hamas, e ali a maior parte dos dois milhões de moradores vive em barracas improvisadas e prédios atingidos por bombardeios.
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O chamado Conselho da Paz, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou diferentes propostas para reconstruir Gaza. Os planos, porém, ignoram o direito de propriedade dos palestinos que perderam suas casas, e não obtiveram apoio de Israel nem do Hamas, que seguem sem avanço nas negociações.
Os dois lados ainda não chegaram a um entendimento sobre um acordo em que o Hamas entregaria as armas em troca da saída das tropas israelenses. Israel afirma que só vai se retirar quando o grupo se desarmar por completo. O Hamas diz ter aceitado um processo em etapas, mas avisa que não abrirá mão das armas enquanto os ataques continuarem.
Nos últimos meses, os bombardeios israelenses mataram vários militantes do Hamas, mas também muitos civis, segundo as autoridades de saúde de Gaza, cujos números não fazem distinção entre civis e combatentes.
Mais de 1.400 palestinos morreram em Gaza desde o cessar-fogo de outubro de 2025, de acordo com as autoridades de saúde. No mesmo período, cinco soldados israelenses foram mortos por militantes ou em combate, segundo o Exército de Israel.
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