Hackers roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, em um ataque considerado o maior já registrado no setor. Empresas especializadas em análise de blockchain afirmam ter alto grau de confiança de que a ação foi realizada por um grupo ligado à Coreia do Norte.
A invasão provocou queda no mercado de criptomoedas. A Binance suspendeu temporariamente os saques e afirmou que os fundos dos usuários estão seguros e que a própria empresa vai cobrir as perdas.
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Cerca de metade dos ativos roubados foi congelada rapidamente por empresas responsáveis pela emissão de stablecoins e outros parceiros. Segundo a Binance, aproximadamente US$ 3 bilhões já haviam sido localizados até o momento.
A empresa não informou a situação dos US$ 3,3 bilhões restantes.
“Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas”, afirmou o co-CEO da Binance, Richard Teng, no X. Segundo ele, a investigação interna ainda não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo.
Roubo ocorreu em cerca de 20 minutos
A maior parte dos recursos foi retirada em um intervalo de aproximadamente 20 minutos, a partir do fim da quinta-feira.
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis afirmaram que o ataque apresentou semelhanças com outras invasões de grande porte anteriormente atribuídas à Coreia do Norte.
Segundo a TRM, os invasores conseguiram fazer com que carteiras usadas pela Binance fossem esvaziadas para endereços controlados pelos hackers.
A empresa comparou o método ao ataque contra a corretora Bybit em 2025, que havia sido atribuído pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, a Pyongyang.
“A TRM atribui o ataque à… unidade de hackers de elite da Coreia do Norte”, afirmou a empresa em uma análise publicada em seu site.
Tanto a TRM quanto a Chainalysis disseram ter alto grau de confiança na atribuição.
A Coreia do Norte costuma negar acusações de envolvimento em ataques cibernéticos. Sua missão em Genebra e a embaixada na China não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
Bitcoin e outras criptomoedas caem
O ataque pressionou os preços das criptomoedas.
O Bitcoin caiu para US$ 76.368, menor valor em seis semanas. O ether recuou mais de 3% e chegou a US$ 2.178, menor cotação em dois meses, antes de uma estabilização do mercado.
O BNB, token lançado originalmente como Binance Coin e usado, entre outras funções, para pagar taxas na plataforma, caiu 5% em 24 horas, para US$ 709,70, segundo o CoinGecko.
O impacto também chegou às empresas do setor negociadas em bolsa.
As ações da Coinbase Global, que afirmou não ter sido afetada pelo ataque, caíam 4,8%. Já os papéis da Strategy, empresa conhecida pela compra de bitcoins, recuavam quase 6% nas negociações após o fechamento do mercado nos Estados Unidos.
“É o maior ataque hacker da história”, afirmou Aravind Srinivasan, da corretora GSR.
Ataque pode ter começado por notebook de engenheiro
Uma investigação inicial da Binance aponta que a invasão pode ter começado após o comprometimento do notebook de um dos engenheiros da empresa.
Segundo a corretora, o acesso ao computador teria permitido que um invasor entrasse em um de seus sistemas e realizasse saques sem autorização.
“Nossa equipe de segurança está rastreando todo o caminho do ataque por meio do computador comprometido, que pode ser o ponto de entrada do incidente”, informou a Binance.
Mark Karpeles, ex-diretor da extinta corretora Mt Gox, afirmou que os invasores provavelmente conseguiram acessar as chaves privadas de pelo menos duas carteiras da Binance.
“A Binance parece ter dividido seus ativos entre vários sistemas, garantindo que um ataque possa afetar apenas uma parte dos ativos, mas, mesmo assim, um único ataque representa uma grande perda”, disse.
Ataque pode afetar confiança no mercado
Analistas avaliam que o roubo pode ter efeitos mais amplos sobre o setor de criptomoedas.
O mercado já vinha enfrentando pressão devido aos juros mais altos nos Estados Unidos e à redução da demanda de compradores de fundos negociados em bolsa, os ETFs.
“Isso pode reduzir ainda mais o apetite pelo risco e levar os investidores a reavaliar a segurança dos ativos mantidos em corretoras centralizadas”, afirmou Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, de Hong Kong.
A Binance tinha cerca de 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e aproximadamente US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia, de acordo com o relatório anual de 2025 da empresa.
A corretora mantém ainda um fundo de segurança para usuários com uma reserva equivalente a US$ 1 bilhão em bitcoin, criado para proteger clientes em situações como violações de segurança.
O valor roubado, portanto, é mais de seis vezes superior ao tamanho dessa reserva.
Teng afirmou que as perdas serão cobertas com “fundos da empresa”.
Empresas congelam bilhões em ativos
A Tether informou ter congelado quase US$ 1,57 bilhão em ativos relacionados ao ataque.
A Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões.
A World Liberty Financial afirmou ter trabalhado com a BitGo para congelar recursos ligados ao incidente.
Segundo Yi He, cofundadora da Binance, também foram bloqueados US$ 27 milhões em stablecoins, cerca de US$ 2 milhões em tokens da World Liberty e aproximadamente US$ 200 milhões pela empresa de criptomoedas Ripple.
A Binance afirmou que espera retomar os serviços de saque nas próximas 48 horas.
O episódio se soma a uma sequência de ataques ao setor. No ano passado, hackers roubaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas em quase 150 ataques, segundo pesquisadores da TRM Labs.
Em setembro, a corretora Bitget informou que cerca de US$ 350 milhões em criptomoedas haviam sido roubados de sua plataforma.
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