Os norte-americanos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, que definem quem controla o Congresso dos Estados Unidos pelos próximos dois anos. Os eleitores também escolhem governadores em determinados estados.
A votação acontece na metade do mandato presidencial e costuma funcionar como um termômetro do governo. Neste ano, deve servir de avaliação para a segunda gestão de Donald Trump, que registrou em outubro a menor aprovação de suas duas passagens pela Casa Branca.
Os republicanos têm hoje maioria apertada na Câmara dos Deputados e no Senado. Pesquisas divulgadas em outubro indicam vitória democrata na Câmara, enquanto o resultado no Senado segue indefinido. Perder a Câmara dificultaria a agenda de Trump nos dois anos que lhe restam e daria aos democratas o poder de intimar testemunhas para investigar o governo.
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Como funcionam as eleições de meio de mandato
Segundo o portal oficial do governo dos EUA, o pleito ocorre sempre dois anos depois da eleição presidencial, no meio do mandato. A votação vale para todos os cargos, exceto presidente e vice, e é precedida por primárias, que foram realizadas neste ano entre março e meados de setembro, de acordo com a U.S. Vote Foundation.
Câmara dos Deputados
Todas as 435 cadeiras da Câmara estão em disputa, já que os deputados têm mandatos de dois anos. Cada estado elege um número de representantes proporcional à sua população.
Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras e os democratas, 214. Para conquistar a maioria, os democratas precisam eleger ao menos 218 dos 435 deputados, quatro a mais do que têm hoje.
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Senado
O Senado reúne cem parlamentares, dois por estado, com mandatos de seis anos. A renovação é escalonada, com um terço das vagas em jogo a cada dois anos, e os dois senadores de um mesmo estado nunca disputam a mesma eleição.
Neste ano, 35 cadeiras serão decididas. Os republicanos têm 53 senadores, contra 47 dos democratas, e a oposição precisa de quatro cadeiras a mais para assumir o controle.
Governadores e outros cargos
Além do Congresso, 36 dos 50 estados vão eleger governador neste ano, e quase todos também votam para renovar as assembleias legislativas estaduais, segundo a agência Reuters. As cédulas ainda podem incluir disputas para juiz e cargos locais, além de consultas populares sobre temas estaduais, de acordo com a U.S. Vote Foundation.
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Peso para o presidente
Como o Congresso pode aprovar ou barrar os projetos do governo, o resultado afeta diretamente a capacidade do presidente de governar, aponta a U.S. Vote Foundation. Por isso, a votação costuma ser lida como um julgamento sobre a primeira metade do mandato.
O histórico não favorece quem está no poder. Segundo a organização, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 20 das últimas 22 eleições de meio de mandato, desde 1938. Quanto maior a aprovação do presidente, menores tendem a ser as perdas.
O professor Michael Genovese, da Universidade Loyola Marymount, citado pela entidade, descreve o fenômeno como uma “presidência de dois anos”, já que o chefe do Executivo costuma ter mais aliados no Congresso apenas na primeira metade do mandato. O resultado, porém, não indica quem vencerá a eleição presidencial seguinte.
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Trump não está na cédula, mas tem pedido aos apoiadores que votem como se estivesse, na tentativa de mobilizar eleitores que poderiam ficar em casa. Ao mesmo tempo, a impopularidade do presidente pesa sobre candidatos republicanos em disputas apertadas.
Na segunda-feira (26), Trump anunciou que o governo pagará US$ 1 milhão a quem denunciar fraude eleitoral que resulte em prisão e condenação, tanto em eleições passadas quanto na de 2026. A medida se soma à pressão do governo sobre os estados para entregar dados de registro de eleitores, sob o argumento de reforçar a confiança no processo. Na terça-feira (27), o presidente afirmou que respeitará o resultado da votação “se forem eleições honestas”.
Um dos principais temas da eleição deste ano é a guerra contra o Irã, que elevou o preço dos combustíveis e agravou a preocupação dos eleitores com o custo de vida. Iniciado em fevereiro pelos Estados Unidos ao lado de Israel, o conflito já dura oito meses e afetou o transporte marítimo e o abastecimento global de petróleo.
As negociações para encerrar a guerra seguem travadas. Desde o início das conversas, Washington quer incluir o programa nuclear iraniano no acordo, enquanto Teerã exige primeiro o fim do bloqueio dos EUA a seus portos e das sanções às exportações de petróleo do país.
No fim de setembro, Trump rejeitou uma proposta iraniana que previa a reabertura do Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte de energia, caso certas condições fossem atendidas.
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Disputas acirradas no Senado
Entre as corridas que podem definir o Senado estão as de Michigan e do Texas. Em Michigan, o republicano Mike Rogers e o democrata Abdul El-Sayed disputam uma vaga aberta, e El-Sayed pode se tornar o primeiro muçulmano eleito senador. Trump tem atacado o democrata repetidamente e tentado retratá-lo como extremista islâmico, acusação que El-Sayed rejeita.
No Texas, o procurador-geral Ken Paxton, que venceu as primárias com apoio de Trump contra o senador John Cornyn, enfrenta o democrata James Talarico. A escolha obrigou os republicanos a gastar muito dinheiro para defender uma cadeira tradicionalmente segura para o partido.
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Atritos na campanha republicana
Diante das pesquisas desfavoráveis, Trump tem culpado assessores pela estratégia eleitoral, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O presidente questiona os gastos de campanha e o redesenho dos distritos eleitorais, que ele mesmo incentivou. No Texas, os novos mapas dependem de os eleitores hispânicos repetirem o apoio de 2024, o que as pesquisas indicam ser difícil.
*Com informações da Reuters
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