“Enche-me de alegria voltar ao continente onde vivi tantos momentos da minha vida”, declarou Leão ao confirmar sua viagem de 6 a 17 de novembro, que inclui 12 voos, dois deslocamentos de helicóptero e uma oração em grande altitude nos Andes.
Milhões de fiéis são esperados para ver o pontífice, que combinará compromissos pastorais com discursos a líderes como o presidente argentino Javier Milei, aliado próximo do presidente americano Donald Trump, cuja relação com a Igreja é marcada por tensões.
Embora o Vaticano tenha informado que Leão continua em recuperação, o papa liderará mais de 50 atos, que vão desde missas ao ar livre até reuniões com povos indígenas da Amazônia, vítimas de abusos clericais ou pessoas idosas.
Façanha sob observação
“Esta será a viagem mais observada do pontificado de Leão até agora”, afirmou à AFP Christopher White, da Universidade de Georgetown, em Washington, autor de um livro sobre o papa.
O líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo começará o giro pelo Uruguai, o país mais secularizado da América Latina, onde será recebido pelo presidente de esquerda Yamandú Orsi.
O Uruguai mantém divergências com a Igreja Católica em temas como casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto e eutanásia, legalizada no ano passado. A expectativa é que Leão faça um apelo em defesa da proteção da vida.
Em seguida, o pontífice viajará para a Argentina, país natal de seu antecessor, o papa Francisco, que decepcionou muitos argentinos ao não retornar em visita ao país durante seu pontificado.
As autoridades argentinas esperam que sete milhões de peregrinos acompanhem as atividades de Leão. Em Buenos Aires, ele se reunirá com Milei, o presidente libertário de direita que manteve uma relação tensa com Francisco.
Embora os contatos entre Milei e Leão tenham sido menos turbulentos, líderes locais da Igreja têm se mostrado muito críticos em relação ao alto custo humano das medidas do presidente argentino para reativar a debilitada economia, que deixaram milhões de cidadãos vulneráveis e à beira da subsistência.
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Volta para casa
A viagem pela América do Sul será encerrada com um retorno carregado de simbolismo ao Peru, país que Leão considera seu lar.
Antes de se tornar Leão XIV, Robert Francis Prevost serviu durante quase duas décadas no país andino, inclusive como bispo na cidade costeira de Chiclayo entre 2015 e 2023.
O primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, que se naturalizou peruano, celebrará uma missa em uma planície desértica próxima ao oceano Pacífico, antes de visitar Cusco, a antiga capital inca, e Pucallpa, uma cidade na floresta amazônica.
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Em Lima, se reunirá com a presidente peruana de direita Keiko Fujimori, filha do falecido ex‑presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade, cujo legado ela reivindica.
A visita de Leão a Cusco, a 3.400 metros de altitude, será breve — menos de três horas — mas muito acompanhada, em meio a questionamentos sobre se o pontífice subestimou seu câncer ou o superou com aparente facilidade.
“Se o papa conseguir levar adiante esta viagem, isso reforçará a imagem que grande parte do mundo teve de Leão desde sua eleição: a de um papa jovial, forte e vigoroso”, afirmou White.
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