A Alemanha, a Romênia e o Reino Unido entraram na lista de países europeus com supermercados atingidos por ciberataques contra os sistemas de refrigeração. Com isso, segundo a AFP, os ataques registrados na segunda-feira (2) já afetaram 12 países. Diante do avanço dos casos, o governo da Itália fez nesta terça-feira (3) reuniões de emergência com os chefes dos serviços de inteligência.
Até agora, no entanto, ninguém assumiu a autoria dos ataques, e o motivo continua desconhecido. Enquanto isso, o aumento da temperatura em geladeiras e congeladores obrigou as lojas a jogar fora grandes quantidades de alimentos. Por esse motivo, a União Europeia afirma que se trata de uma tentativa deliberada de interromper a cadeia de abastecimento de alimentos do bloco.
“Esses não são incidentes isolados e, claro, precisamos ser coletivamente resilientes e estar preparados para tais incidentes cibernéticos”, disse nesta terça o porta-voz da UE, Thomas Regnier.
Ainda segundo ele, as agências europeias conversam com as autoridades de cada país para preparar uma resposta conjunta.
No Reino Unido, o chefe de segurança cibernética do país, Richard Horne, disse à BBC que o problema afeta “toda a cadeia de abastecimento alimentar”. Da mesma forma, a associação britânica de fornecedores de carne AIMS informou que equipamentos de refrigeração de três associados tiveram problemas.
Vale lembrar que o primeiro ataque ocorreu em meados de outubro, na França. Na ocasião, as temperaturas de geladeiras e congeladores subiram em centenas de lojas.
A lista de países afetados desde segunda-feira inclui agora Alemanha, Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Romênia e Suécia.
Reuniões de emergência
Na Itália, por sua vez, os ministros se reuniram com os chefes dos serviços de inteligência e da Agência Nacional de Cibersegurança. Segundo o governo, porém, o impacto foi “altamente limitado” e atingiu apenas lojas com sistemas de segurança desatualizados. Ao todo, os ataques atingiram cerca de 20 lojas no país. Entre elas, estão quatro das 300 lojas do grupo Coop na Sicília.
“Estimamos o prejuízo em vários milhares de euros. Tivemos que jogar tudo fora. As prateleiras estão vazias”, disse ao jornal Corriere della Sera o diretor do grupo, Giuseppe Spadaro.
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Já para o diretor de Segurança Cibernética da Romênia, Dan Cimpean, o ataque não parece obra de um governo estrangeiro. Pelo contrário, ele avalia que a ação foi pouco sofisticada.
“Parece semi-amador. Não suspeitamos, em hipótese alguma, que seja um agente estatal”, afirmou à AFP.
Na Suécia, por outro lado, a situação já foi resolvida. Segundo a rede Coop, as sete lojas atingidas voltaram a funcionar normalmente. De acordo com o porta-voz Carlos Cancino, os equipamentos estavam conectados a redes 4G antigas. Por isso, a empresa lançou um programa para migrar as lojas para redes 5G.
Por fim, para Roni Kokkola, especialista em segurança da informação de uma agência do governo finlandês, os ataques eram previsíveis desde o caso francês. Isso porque, segundo ele, as falhas nos sistemas estão sendo exploradas cada vez mais rápido.
“Hoje em dia é muito típico que todo tipo de vulnerabilidade seja explorada de forma cada vez mais ativa e rápida”, disse.
(Com informações da AFP e da Reuters)
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