Os eleitores dos Estados Unidos elegeram a primeira governadora negra, o primeiro senador assumidamente gay, o primeiro senador muçulmano e a primeira governadora indígena do país, nas eleições de meio de mandato que ocorreram no país nesta terça-feira (3).
A insatisfação do eleitorado com o governo do presidente Donald Trump provocou uma “onda” democrata que tirou dos republicanos o comando da Câmara e do Senado. O resultado também abriu caminho para vitórias inéditas de diversas minorias nos Estados Unidos.
Bill Shiebler, diretor de estratégia da ONG State Voices, uma rede que defende a participação cidadã, descreveu o resultado de terça-feira (3) como “uma grande reprimenda ao ódio e à divisão“.
“Presenciamos um eleitorado que se identifica cada vez mais com seus líderes, e com os líderes que surgem das comunidades que eles agora representam“, disse Shiebler à AFP. “Acredito que isso faz parte de uma democracia multirracial que funciona como deveria, e não apenas como uma novidade”, acrescentou.
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Eleição histórica
Em Michigan, o médico Abdul El-Sayed, de 42 anos, será o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado americano. Conhecido pelo estilo direto, ele conquistou o eleitorado com uma agenda de esquerda, que inclui o acesso universal à saúde, e garantiu aos democratas uma vaga considerada estratégica.
Durante a campanha, enfrentou uma retórica antimuçulmana agressiva por parte de seus opositores. O Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) elogiou o candidato por ter seguido em frente apesar dos “intermináveis ataques islamofóbicos”.

Abdul El-Sayed, eleito por Michigan o primeiro senador muçulmano dos EUA (Crédito: Reprodução/Senado dos EUA)
Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms conquistou o governo do estado, tornando-se a primeira mulher negra a alcançar um cargo desse nível nos Estados Unidos.
A ex-prefeita de Atlanta derrotou o bilionário executivo do setor de saúde Rick Jackson, uma vitória que devolve o governo estadual aos democratas após mais de duas décadas de controle republicano.

Keisha Lance Bottoms, eleita na Geórgia a primeira governadora negra dos EUA (Crédito: Reprodução/Casa Branca)
O democrata Chris Pappas será o primeiro homem abertamente gay no Senado dos Estados Unidos, após vencer a eleição em New Hampshire.
Em sua página, ele defende que “ninguém deveria ser discriminado por ser quem é ou por quem ama”. Pappas chegou à Câmara dos Representantes na eleição de 2018.

Chris Pappas, eleito por New Hampshire o primeiro senador assumidamente gay dos EUA (Crédito: Tim Pierce/Wikimedia Commons)
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No Novo México, a democrata Deb Haaland venceu o republicano Gregg Hull e conquistou o governo estadual, tornando-se a primeira mulher indígena americana a alcançar um cargo executivo regional.
Membro do povo Laguna Pueblo, ela atuou como secretária do Interior na administração do ex-presidente Joe Biden, marco que a tornou a primeira indígena americana a ocupar um cargo de secretária no gabinete dos Estados Unidos.

Deb Haaland, eleita no Novo México a primeira governadora indígena americana (Crédito: Reprodução/Câmara dos EUA)
A democrata Peggy Flanagan, de Minnesota, foi eleita a primeira senadora indígena americana.
No Texas, Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, que buscava a reeleição, e será a primeira mulher latina a governar o estado fronteiriço.
Já na Califórnia, Xavier Becerra tornou-se o primeiro latino a conquistar o governo do estado na costa oeste, após superar o republicano Steve Hilton.

Peggy Flanagan, Gina Hinojosa e Xavier Becerra conquistaram vitórias inéditas em Minnesota, no Texas e na Califórnia (Crédito: Reprodução)
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Quanto ao futuro, caso o atual líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, conquiste a presidência da Casa, como se espera no novo Congresso, ele se tornará o primeiro presidente americano negro desse órgão legislativo na história dos Estados Unidos.
“Esta foi uma eleição histórica, na qual as pessoas decidiram acreditar em si mesmas e agarrar-se, de fato, à esperança representada pela promessa deste país, rejeitando qualquer tentativa de silenciar suas vozes”, disse Shiebler.
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