O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi destituído nesta sexta-feira (6) pelo Congresso Nacional, após um processo de impeachment relacionado à crise do Ueno Bank. Com a decisão, ele se tornou o segundo presidente eleito democraticamente no país a perder o mandato por meio de um julgamento político, depois de Fernando Lugo, afastado em 2012.
A destituição ocorreu após o Legislativo rejeitar a renúncia apresentada por Peña na quinta-feira (5). A votação teve apoio praticamente unânime dos parlamentares presentes nas duas Casas do Congresso.
Na Câmara dos Deputados, 78 parlamentares votaram a favor do processo. No Senado, 44 dos 45 integrantes estavam presentes na sessão que resultou na saída do presidente. O senador Enrique Riera, do Partido Colorado, não compareceu.
Peña havia apresentado sua renúncia em meio à pressão política provocada pelo caso Ueno Bank. A saída voluntária poderia garantir a ele o direito de se tornar senador vitalício, condição que prevê imunidade parlamentar. Com a destituição por impeachment, ele perde essa prerrogativa.
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Crise do Ueno Bank motivou impeachment
A crise política teve início após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira que enfrentava problemas de solvência. A medida provocou o bloqueio de contas e depósitos de aproximadamente 3 milhões de clientes.
Peña foi alvo de acusações de conflito de interesses por sua antiga ligação empresarial com o grupo controlador do banco. O presidente também foi questionado por decisões relacionadas à fiscalização da instituição e à aplicação de recursos públicos e previdenciários na entidade.
O ex-presidente nega irregularidades. O caso também motivou investigações criminais sobre a gestão do banco e a atuação de autoridades públicas.
Peña assumiu a Presidência em 15 de agosto de 2023. Ele permaneceu no cargo por três anos, dois meses e 22 dias, deixando o mandato antes do término previsto, em agosto de 2028. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência e deverá concluir o atual período de governo.
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