O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao confirmar, nesta quarta-feira, 15, a revogação de um ato da Receita Federal que endurecia a fiscalização sobre operações financeiras. Flávio, que tem se posicionado contra o governo Lula nas redes sociais, foi mencionado por Haddad em relação a um suposto esquema […]
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao confirmar, nesta quarta-feira, 15, a revogação de um ato da Receita Federal que endurecia a fiscalização sobre operações financeiras. Flávio, que tem se posicionado contra o governo Lula nas redes sociais, foi mencionado por Haddad em relação a um suposto esquema de rachadinha durante seu tempo como deputado estadual no Rio de Janeiro. O governo inicialmente justificou a norma como uma medida para combater a lavagem de dinheiro, mas recuou após uma mobilização intensa na internet e boatos sobre uma taxação de transferências via Pix.
Haddad destacou que “as rachadinhas do Flávio foram combatidas porque a autoridade identificou uma movimentação absurda” e questionou a indignação do senador em relação ao trabalho da Receita. Ele enfatizou que Flávio deveria explicar como acumulou um patrimônio significativo sem ter trabalhado. O ministro defendeu que o Estado precisa de ferramentas para combater o crime organizado, afirmando que “precisamos de informações” relevantes para essa luta.
Em 2018, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor Fabrício Queiroz, ligadas a Flávio. O dinheiro teria sido lavado por meio de uma loja de chocolates e compra de imóveis. Em 2020, o Ministério Público denunciou Flávio e outros por organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas em 2021, o Superior Tribunal de Justiça anulou as decisões da Justiça do Rio, alegando que Flávio tinha direito a foro privilegiado.
Atualmente, o caso está em andamento no Superior Tribunal de Justiça, que recebeu um recurso do Ministério Público em fevereiro de 2023 para retomar as investigações. O procurador Antonio José Campos Moreira argumenta que é possível reiniciar a investigação a partir do ponto em que foi declarada a nulidade, permitindo uma nova denúncia com base em provas renovadas. Em abril de 2023, o STJ admitiu o recurso e o enviou ao Supremo Tribunal Federal, que deverá se manifestar sobre a questão dos mandatos cruzados.
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