Um projeto inovador que transforma bitucas de cigarro em arte e material artesanal está ganhando destaque no Brasil. O Reciclagem de Bitucas, criado em 2001 na Universidade de Brasília (UnB) por Marco Antônio Barbosa e a professora Thérèse Hofmann, utiliza bitucas trituradas e purificadas para produzir papel reciclável. Apesar das dificuldades iniciais, a tecnologia desenvolvida […]
Um projeto inovador que transforma bitucas de cigarro em arte e material artesanal está ganhando destaque no Brasil. O Reciclagem de Bitucas, criado em 2001 na Universidade de Brasília (UnB) por Marco Antônio Barbosa e a professora Thérèse Hofmann, utiliza bitucas trituradas e purificadas para produzir papel reciclável. Apesar das dificuldades iniciais, a tecnologia desenvolvida na UnB possibilitou a criação de itens como porta-retratos e cadernos, com a reciclagem sendo realizada pela empresa Poiato Recicla, de São Paulo.
A professora Hofmann destaca que, até então, não havia estudos sobre o reaproveitamento de bitucas, que eram vistas apenas como lixo. “Após os experimentos, vimos que, depois da descontaminação, as bitucas se transformam em uma massa celulósica,” explica. A ideia surgiu quando Marco, ao estudar fontes alternativas de papel, percebeu que as bitucas poderiam ser uma matéria-prima viável. O projeto recebeu apoio do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UnB e foi patenteado em 2014.
A Poiato Recicla foi a única empresa a se interessar pelo projeto, iniciando a produção do material em 2016. As instituições que recebem o material, principalmente em São Paulo, utilizam-no para criar itens artesanais, contribuindo para a saúde e assistência social. Os royalties gerados são utilizados para financiar novas pesquisas na UnB e manter o Centro de Desenvolvimento Tecnológico.
O processo de reciclagem envolve a coleta das bitucas, que são triadas e tratadas em uma usina em Votorantim. Felipe Poiato, diretor operacional da Poiato Recicla, explica que as bitucas passam por um cozimento e uma solução química antes de serem trituradas. Com mais de 780 coletores instalados em diversas regiões do Brasil, o projeto também promove eventos de conscientização ambiental, abordando o impacto negativo das bitucas no meio ambiente, que podem levar até cinco anos para se decompor.
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