O Papa Francisco tomou uma decisão histórica ao dissolver o Sodalitium Christianae Vitae (SCV), um influente movimento católico ultraconservador fundado no Peru em 1971. A medida foi anunciada após uma investigação do Vaticano que revelou abusos sexuais cometidos por seu fundador, Luis Figari, além de gestão financeira inadequada e abusos espirituais por líderes da organização. […]
O Papa Francisco tomou uma decisão histórica ao dissolver o Sodalitium Christianae Vitae (SCV), um influente movimento católico ultraconservador fundado no Peru em 1971. A medida foi anunciada após uma investigação do Vaticano que revelou abusos sexuais cometidos por seu fundador, Luis Figari, além de gestão financeira inadequada e abusos espirituais por líderes da organização. O SCV confirmou a dissolução em um comunicado durante uma assembleia em Aparecida, Brasil, lamentando que a notícia havia vazado por dois membros que foram expulsos.
A dissolução do SCV representa o fim de um movimento que, em seu auge, contava com cerca de 20 mil membros na América do Sul e nos Estados Unidos. As primeiras denúncias de abusos surgiram em 2011, mas a Igreja local e a Santa Sé não tomaram medidas concretas até que o livro “Mitad monjes, mitad soldados”, escrito pelos jornalistas Paola Ugaz e Pedro Salinas, expusesse as práticas abusivas da organização em 2015. Um relatório de 2017 confirmou os abusos cometidos por Figari, incluindo sodomização e humilhações psicológicas.
Após tentativas de reforma, o Papa enviou os investigadores Charles Scicluna e Jordi Bertomeu para apurar as denúncias. O relatório resultou na expulsão de Figari e de outros dez membros de alto escalão, incluindo um arcebispo que havia processado os jornalistas. A decisão do Papa é vista como um passo significativo na luta contra a impunidade dentro da Igreja, refletindo um compromisso com a justiça para as vítimas.
A dissolução do SCV não apenas encerra sua existência, mas também levanta questões sobre a recuperação de seu patrimônio, estimado em 1 bilhão de dólares, e a compensação das vítimas que ainda não receberam indenizações. A situação é um lembrete da necessidade de responsabilização dentro das instituições religiosas e da importância de ouvir as vozes das vítimas.
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