Um curta-metragem de 1979, “Açúcar, água e sal”, produzido por 14 presos políticos durante uma greve de fome no presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, foi relançado em março de 2023 no canal do YouTube do grupo Práticas do Contra-arquivo, da PUC-Rio. O filme, que tem 15 minutos de duração, foi criado para pressionar […]
Um curta-metragem de 1979, “Açúcar, água e sal”, produzido por 14 presos políticos durante uma greve de fome no presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, foi relançado em março de 2023 no canal do YouTube do grupo Práticas do Contra-arquivo, da PUC-Rio. O filme, que tem 15 minutos de duração, foi criado para pressionar o Congresso Nacional a ampliar a Lei da Anistia, que estava prestes a ser votada. Os presos usaram uma câmera portátil, autorizada para registrar um aniversário, para filmar depoimentos e cenas da greve, com os negativos sendo contrabandeados para fora da prisão.
Após 32 dias de protesto, o grupo encerrou a greve sem atender suas reivindicações. O filme só foi finalizado após a aprovação da Lei da Anistia, sendo exibido uma única vez em 1999. O interesse por esse material aumentou nas últimas décadas, impulsionado por estudos sobre a produção audiovisual durante a ditadura militar. A pesquisadora Patrícia Furtado Mendes Machado destaca a importância de resgatar imagens que o governo militar não queria que fossem exibidas, e os negativos originais estão no Arquivo Nacional.
Em 2023, Machado e sua equipe começaram a construir um acervo de imagens que servem como contraponto ao discurso oficial da ditadura, utilizando uma metodologia inspirada em pesquisas sobre a memória visual de grupos marginalizados. O projeto busca entender o contexto em que as imagens foram produzidas e como sobreviveram ao longo do tempo. Além disso, a pesquisa também abrange filmes feitos por mulheres durante a ditadura, evidenciando sua presença na resistência ao regime.
Pesquisadores têm explorado materiais de órgãos oficiais, revelando a colaboração entre o regime militar e empresas privadas na produção de propaganda. O Arquivo Nacional abriga vasto material inexplorado, incluindo filmes amadores que documentam eventos que antecederam o golpe de 1964. A historiadora Mariana Lambert Passos Rocha analisou um filme de 31 minutos que registra a movimentação de tropas e agitações populares, concluindo que a montagem foi realizada em 1977, possivelmente devido a incertezas sobre o compromisso militar com a abertura política.
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