O número de pedidos de recuperação judicial por empresas do agronegócio brasileiro aumentou significativamente em 2024, com 295 empresas nessa situação no quarto trimestre, um crescimento de 38,49% em relação ao ano anterior. Especialistas preveem que essa tendência de alta continuará em 2025, impulsionada pela queda nos preços das commodities agrícolas e pelo aperto na […]
O número de pedidos de recuperação judicial por empresas do agronegócio brasileiro aumentou significativamente em 2024, com 295 empresas nessa situação no quarto trimestre, um crescimento de 38,49% em relação ao ano anterior. Especialistas preveem que essa tendência de alta continuará em 2025, impulsionada pela queda nos preços das commodities agrícolas e pelo aperto na concessão de crédito pelos bancos. No terceiro trimestre de 2024, eram 264 companhias em recuperação, evidenciando um aumento de 11,74%.
Rodrigo Gallegos, sócio da RGF&Associados, destaca que muitos produtores são pequenos ou familiares, com gestão menos profissionalizada, o que contribui para o aumento dos pedidos. A necessidade de capital intensivo e o tempo entre plantio e colheita dificultam a adaptação às variações de preços e riscos climáticos. Mesmo com uma possível valorização das commodities, Gallegos acredita que o número de recuperações judiciais deve crescer.
No quarto trimestre de 2024, 34% das empresas em recuperação estavam ligadas ao cultivo de soja, seguidas por 20% na criação de bovinos de corte e 15% no cultivo de cana-de-açúcar. A distribuidora de insumos Agrogalaxy é um exemplo emblemático, enfrentando dificuldades devido à queda nas compras por parte dos produtores. Roberta Gonzaga, consultora da RGF, observa que o comércio de adubos também está começando a registrar números mais altos de recuperação.
Goiás lidera o número de recuperações judiciais no agronegócio, com 53 empresas, seguido pelo Rio Grande do Sul (50), São Paulo (47) e Mato Grosso (46). Gallegos prevê que a região Centro-Oeste se destacará em 2025. A oferta de crédito permanece afetada, com bancos tradicionais como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mantendo recursos, enquanto outros, menos expostos ao setor, hesitam devido ao aumento das recuperações judiciais, resultando em taxas de juros mais altas.
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