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Antropólogo brasileiro Eduardo Brondízio conquista Tyler Prize por estudos na Amazônia

- Eduardo Brondízio, premiado com o Tyler Prize, é referência em biodiversidade. - O prêmio de US$ 250 mil é inédito para pesquisadores da América do Sul. - Brondízio revelou que mais de 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção. - Estudo global mostrou que 200 milhões de empregos na agricultura foram perdidos. - O antropólogo defende a inclusão de questões sociais nas políticas ambientais.

O antropólogo brasileiro Eduardo Brondízio, de sessenta e um anos, foi um dos vencedores do Tyler Prize for Environmental Achievement 2025, considerado o “Nobel” ambiental. Professor da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e da Unicamp, Brondízio divide o prêmio de US$ 250 mil (aproximadamente R$ 1,49 milhão) com a ecóloga argentina Sandra Díaz. Esta […]

O antropólogo brasileiro Eduardo Brondízio, de sessenta e um anos, foi um dos vencedores do Tyler Prize for Environmental Achievement 2025, considerado o “Nobel” ambiental. Professor da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e da Unicamp, Brondízio divide o prêmio de US$ 250 mil (aproximadamente R$ 1,49 milhão) com a ecóloga argentina Sandra Díaz. Esta é a primeira vez em 52 anos que a premiação é concedida a pesquisadores da América do Sul. A dupla, que trabalhou em um relatório de avaliação de biodiversidade das Nações Unidas, revelou que mais de 1 milhão de espécies estão em risco de extinção.

Brondízio, que possui mais de 35 anos de experiência em pesquisas com populações amazônicas, destacou a importância de dar visibilidade às comunidades locais. Ele enfatizou que a produção de açaí, por exemplo, é um sistema altamente manejado, desafiando a visão simplista de que os produtores são meros extrativistas. O mercado de açaí, que se tornou bilionário, cresceu em resposta à demanda urbana nas décadas de 1970 e 1980, mas os produtores ainda enfrentam estigmas que desvalorizam seu trabalho.

O antropólogo também abordou a complexidade das realidades urbanas na Amazônia, onde as populações frequentemente transitam entre o campo e a cidade. Ele defende que o combate à pobreza e à precariedade da infraestrutura deve ser parte das iniciativas de proteção à biodiversidade e ao enfrentamento das mudanças climáticas. Brondízio alertou sobre as pressões ambientais exacerbadas pelo crime organizado na região, que se tornou um polo de comércio ilegal de drogas.

Além de seu trabalho no Brasil, Brondízio coautoria um estudo publicado na revista Nature, que analisou a produção de alimentos em mais de 180 países. A pesquisa revelou a perda de 200 milhões de empregos no setor desde 1991, com outros 120 milhões em risco até 2030, afetando principalmente comunidades indígenas e rurais em países em desenvolvimento. A comissão do Tyler Prize destacou a relevância da pesquisa de Brondízio para a segurança alimentar global, ressaltando sua defesa pela preservação de empregos e pela necessidade de investimentos para combater a pobreza e a desigualdade.

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