Um estudo independente realizado por Dorian Quelle e Alexandre Bovet, da Suíça, revela que 75% dos usuários do Bluesky se identificam com a esquerda, enquanto 63% dos links de notícias compartilhados na plataforma são de veículos de imprensa de esquerda ou centro-esquerda. A pesquisa, publicada na revista PLoS One, utilizou um sistema de classificação do […]
Um estudo independente realizado por Dorian Quelle e Alexandre Bovet, da Suíça, revela que 75% dos usuários do Bluesky se identificam com a esquerda, enquanto 63% dos links de notícias compartilhados na plataforma são de veículos de imprensa de esquerda ou centro-esquerda. A pesquisa, publicada na revista PLoS One, utilizou um sistema de classificação do projeto Media Bias/Fact Check para categorizar as publicações. Apenas 20% dos links são de veículos de centro e 8% de direita ou centro-direita. Apesar da predominância ideológica, a plataforma apresenta grupos antagonistas, especialmente em discussões sobre a questão Israel/Palestina.
O estudo surge em um contexto em que o X (antigo Twitter) enfrenta críticas por um aumento de 50% no discurso de ódio após a aquisição por Elon Musk. Pesquisadores do Vale do Silício, também publicados na PLoS One, observaram que postagens racistas, homofóbicas e transfóbicas aumentaram significativamente desde a mudança de gestão. Musk, que designou Linda Yaccarino como CEO, defende uma política de liberdade de expressão, enquanto o X alega que o discurso de ódio diminuiu. O GLOBO tentou contato com a empresa para comentar, mas não obteve resposta.
A migração de usuários do X para o Bluesky foi impulsionada por uma disputa judicial que resultou na suspensão do X no Brasil, levando mais de 1 milhão de brasileiros a se inscreverem na nova plataforma. Embora o Bluesky tenha apenas 30 milhões de usuários, em comparação com os 500 milhões do X, a rivalidade entre as redes sociais intensifica as “bolhas ideológicas”, separando grupos de esquerda e direita em diferentes plataformas. O Bluesky, que surgiu como um projeto do antigo Twitter, busca oferecer um modelo descentralizado de mídia social.
Os pesquisadores enfrentam dificuldades para estudar o X, já que o acesso à API foi restringido após a aquisição por Musk, tornando caro e inviável realizar análises independentes. Bovet destacou que o custo de acesso à API é de cerca de US$ 40 mil por mês, inviabilizando a pesquisa para muitos acadêmicos. O estudo de Hickey sobre o discurso de ódio foi possível porque ele utilizou a API antes da mudança. Apesar das preocupações sobre o Bluesky, como a circulação de conteúdo pedófilo, a plataforma ainda precisa superar desafios para se tornar uma rede social mainstream.
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