A pesca fantasma no mar Mediterrâneo é um problema crescente, com 70% das tartarugas afetadas por plásticos ou redes de pesca, segundo o projeto Life Oasis. O biólogo Jesús Tomás, da Universitat de València, destaca que muitos animais ficam presos em redes abandonadas, que continuam a “pescar” por anos. A iniciativa, com um orçamento de […]
A pesca fantasma no mar Mediterrâneo é um problema crescente, com 70% das tartarugas afetadas por plásticos ou redes de pesca, segundo o projeto Life Oasis. O biólogo Jesús Tomás, da Universitat de València, destaca que muitos animais ficam presos em redes abandonadas, que continuam a “pescar” por anos. A iniciativa, com um orçamento de 5,5 milhões de euros, visa mapear essas redes em colaboração com pescadores e portos, focando em áreas como Malta, Itália e Baleares.
A coleta de dados é essencial para entender a relação entre tartarugas e resíduos marinhos. Tomás explica que a falta de padronização nos registros dificulta a análise, pois não se sabe se as tartarugas estão presas em redes ou plásticos. Anualmente, cerca de 150.000 quilômetros de fibra de polipropileno são descartados no Mediterrâneo, contribuindo para a poluição.
O ecologista Ricardo Sagarmaniaga, fundador da ONG Alnitak, enfatiza a importância da colaboração com pescadores, que são fundamentais para identificar locais de redes abandonadas. Desde 2016, houve um aumento significativo de resíduos marinhos, especialmente provenientes de campos de refugiados no norte da África. Sagarmaniaga alerta que a falta de discussão sobre esse problema é um desafio, dado o poder de países como Argelia e Marrocos na pesquisa e pesca.
A WWF classifica o Mediterrâneo como o mar mais poluído do mundo, com 75% das pescarias sobreexploradas e uma temperatura que aumenta 20% mais rápido que outras regiões. As tartarugas bobas, comuns nas costas espanholas, estão em perigo de extinção. A cada ano, oito milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos, evidenciando a urgência de ações para proteger a vida marinha.
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