Arqueólogos descobriram uma coleção de ferramentas feitas de ossos no norte da Tanzânia, datadas de 1,5 milhão de anos, o que as torna as mais antigas conhecidas, superando em cerca de um milhão de anos as anteriores. A pesquisa, publicada na revista Nature, revela que os fragmentos de ossos, principalmente de hipopótamos e elefantes, foram […]
Arqueólogos descobriram uma coleção de ferramentas feitas de ossos no norte da Tanzânia, datadas de 1,5 milhão de anos, o que as torna as mais antigas conhecidas, superando em cerca de um milhão de anos as anteriores. A pesquisa, publicada na revista Nature, revela que os fragmentos de ossos, principalmente de hipopótamos e elefantes, foram moldados por técnicas de lascamento, resultando em ferramentas afiadas que chegam a 38 centímetros de comprimento. Antes dessa descoberta, as ferramentas ósseas mais antigas conhecidas eram de sítios europeus, com idades entre 250 mil e 500 mil anos.
Os 27 fragmentos encontrados na Garganta de Olduvai mostram que os hominídeos selecionavam ossos de grandes mamíferos e os moldavam de maneira sistemática, indicando um nível de raciocínio abstrato. O autor principal do estudo, Dr. Ignacio de la Torre, afirmou que essa inovação tecnológica sugere avanços nas habilidades cognitivas dos hominídeos, que adaptaram suas técnicas de trabalho com pedra para a manipulação de ossos. A Garganta de Olduvai é um local crucial para o entendimento da evolução humana, sendo parte de um patrimônio mundial da UNESCO.
As ferramentas ósseas foram descobertas durante escavações realizadas entre 2015 e 2022. A equipe de pesquisa, liderada por Jackson Njau, destacou que a produção sistemática dessas ferramentas representa uma transição cultural significativa, ocorrendo entre os períodos Olduvaiense e Acheulense. Embora não se saiba qual espécie de hominídeo produziu as ferramentas, evidências anteriores sugerem a presença de Homo erectus e Paranthropus boisei na região.
As descobertas desafiam a ideia de que a produção de ferramentas ósseas era rara entre os primeiros hominídeos. A capacidade de criar instrumentos a partir de ossos, em um momento em que a tecnologia de ferramentas de pedra já estava em desenvolvimento, pode ter influenciado comportamentos mais complexos e a evolução cultural dos hominídeos durante o Pleistoceno.
Entre na conversa da comunidade