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Rubens Paiva é lembrado com vitória no Oscar de Melhor Filme Internacional

- O filme "Ainda estou aqui" venceu o Oscar, simbolizando a luta pela memória. - Rubens Paiva foi preso e assassinado em 1971, com a verdade encoberta. - Militantes do Levante Popular da Juventude protestaram por justiça na casa do ex-oficial. - Diplomatas americanos sabiam da morte de Paiva, mas nada fizeram na época. - A vitória no Oscar reforça a importância da memória coletiva e resistência.

Os oficiais responsáveis pela prisão, tortura e morte de Rubens Paiva em janeiro de 1971 conseguiram enganar o Brasil por décadas, alegando que ele havia sido resgatado por aliados. No entanto, a recente vitória do filme “Ainda estou aqui” no Oscar de Melhor Filme Internacional representa uma derrota simbólica para essa narrativa. A memória de […]

Os oficiais responsáveis pela prisão, tortura e morte de Rubens Paiva em janeiro de 1971 conseguiram enganar o Brasil por décadas, alegando que ele havia sido resgatado por aliados. No entanto, a recente vitória do filme “Ainda estou aqui” no Oscar de Melhor Filme Internacional representa uma derrota simbólica para essa narrativa. A memória de Eunice Paiva, viúva de Rubens, e o trabalho de seu filho, Marcelo, além da arte de Walter Salles e da equipe do filme, prevaleceram em um momento de união nacional, semelhante às vitórias da seleção brasileira de futebol.

Durante a cerimônia, a presença simbólica de Rubens Paiva foi notável, especialmente em um contexto em que os Estados Unidos enfrentam desafios. A memória coletiva, frequentemente reforçada pela arte, se destacou. Em 1971, dois diplomatas americanos, John Mowinckel e Richard Bloomfield, estavam na embaixada no Rio de Janeiro. Mowinckel, um veterano da Segunda Guerra Mundial, era conhecido por sua sociabilidade, enquanto Bloomfield, mais reservado, lidava com questões econômicas. Após ser informado pela filha de Rubens sobre sua prisão, Bloomfield se sentiu impotente, mas procurou a CIA no dia seguinte, apenas para descobrir que a agência já sabia da morte de Paiva.

Em um memorando ao embaixador William Rountree, Bloomfield relatou sua conversa com Eunice Paiva, enquanto Mowinckel sugeriu que deveria haver punições para os responsáveis. Contudo, após a eleição de Jimmy Carter em 1976, a postura americana mudou. No Brasil, as consequências foram mínimas, limitando-se ao constrangimento do general reformado José Antônio Belham, que comandava o DOI onde Rubens foi assassinado. Recentemente, militantes do Levante Popular da Juventude se manifestaram em frente à casa de Belham, reafirmando a frase “Ainda Estamos Aqui”, evidenciando a luta pela memória e justiça.

A relação entre a embaixada americana e o regime militar brasileiro era próxima, a ponto de o presidente Emílio Médici solicitar a promoção de um oficial militar durante uma visita aos EUA, o que foi prontamente atendido. Com Walter Salles segurando o Oscar, ecoa a frase de Guimarães Rosa: “As pessoas não morrem, ficam encantadas (…) O mundo é mágico”, ressaltando a importância da memória e da arte na luta por justiça e reconhecimento.

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