Os pescadores do Pacífico colombiano, que abandonaram as velas em favor de motores a gasolina nos anos 90, enfrentam agora desafios econômicos e ambientais. Frigerio Caicedo Valencia, um pescador local, relata que, embora a introdução do motor tenha inicialmente melhorado a captura, os custos com combustível se tornaram insustentáveis. Atualmente, uma jornada de pesca consome […]
Os pescadores do Pacífico colombiano, que abandonaram as velas em favor de motores a gasolina nos anos 90, enfrentam agora desafios econômicos e ambientais. Frigerio Caicedo Valencia, um pescador local, relata que, embora a introdução do motor tenha inicialmente melhorado a captura, os custos com combustível se tornaram insustentáveis. Atualmente, uma jornada de pesca consome cerca de 15 galões de gasolina, custando aproximadamente 5,5 dólares cada, o que compromete a maior parte da receita obtida com a venda dos peixes.
A pesquisadora Diana María López, da Universidade Nacional de Colômbia, destaca que a vela, antes associada à pobreza, está sendo redescoberta como uma alternativa viável. O projeto Econavi Pesca do Pacífico busca recuperar o conhecimento tradicional sobre navegação à vela, promovendo uma abordagem sustentável que pode aliviar a pressão econômica sobre os pescadores. Essa mudança de perspectiva está levando a um interesse crescente em técnicas de navegação que utilizam o vento, um recurso abundante na região.
Os pescadores de Guapi estão explorando a construção de embarcações híbridas, que combinam motor e vela, e adaptando designs para otimizar o uso do vento. Sebastián Loango, um pescador experiente, enfatiza que os ventos locais, como o Sur, favorecem a navegação matinal, enquanto a calmaria da tarde permite o retorno. Essa prática não só reduz custos, mas também pode ajudar na recuperação dos estoques pesqueiros, afetados pela poluição.
Além disso, a troca de experiências com comunidades pesqueiras no Peru, como os Hilos del Viento, tem promovido um intercâmbio de saberes e estratégias. Essa colaboração pode fortalecer a identidade cultural e econômica dos pescadores, permitindo que eles definam suas próprias soluções para os desafios contemporâneos, enquanto revalorizam suas tradições e conhecimentos ancestrais.
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