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Dom Angélico, bispo subversivo, morre aos 92 anos após lutar pelos direitos humanos

Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo e defensor dos direitos humanos, faleceu aos 92 anos. Sua luta contra a repressão militar marcou a história da Igreja no Brasil.

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Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo conhecido por sua defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores, faleceu aos 92 anos. Ele se destacou por sua oposição à ditadura militar e por ajudar os mais necessitados. Desde jovem, conciliou sua vida como padre e jornalista, usando a comunicação para se conectar com as pessoas. Em 1969, foi perseguido pela polícia por supostas ligações com a luta armada, mas a Igreja o defendeu. Dois anos depois, foi classificado como “esquerdista” e acusado de usar um jornal para criticar o governo. Dom Angélico denunciou a tortura e os abusos da repressão, chamando-os de “bárbaros”. Ele trabalhou na Zona Leste de São Paulo, apoiando movimentos sociais e reivindicando melhorias para os pobres. Em 1978, a ditadura investigou um gibi que ele supostamente financiava, mas a polícia concluiu que era feito com doações. Ele sempre defendeu que a Igreja deveria estar ao lado dos trabalhadores, buscando justiça social e direitos humanos.

Bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino morre aos 92 anos, após vida de defesa dos direitos humanos

Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo conhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores, faleceu nesta terça-feira, aos 92 anos. A trajetória religiosa foi marcada pela oposição à ditadura militar e pela defesa dos mais vulneráveis.

Atuação na Igreja e início da perseguição

Ainda jovem, Dom Angélico conciliou as vocações de padre e jornalista, utilizando a comunicação para aproximar a Igreja dos fiéis. Em 1969, foi alvo da primeira perseguição policial sob a acusação de ligação com a luta armada, mas a Igreja o defendeu e o caso foi arquivado.

Fichado como “esquerdista” e crítico do governo

Dois anos depois, o religioso foi fichado como “elemento reconhecidamente esquerdista”, envolvido em “atividades subversivas”. A repressão militar o acusava de usar o jornal *Diário de Notícias* para criticar as autoridades e disseminar “intrigas e mentiras”.

Denúncias contra a tortura e a repressão

Dom Angélico denunciou publicamente os métodos da repressão, chamando-os de “bárbaros”. Em 1976, criticou a tortura no caso do operário Manoel Fiel Filho e se referiu ao DOI-Codi como “casa de horrores”. Suas pregações incomodavam os espiões infiltrados nas missas.

Atuação na Zona Leste e apoio a movimentos sociais

Como bispo auxiliar na Zona Leste de São Paulo, Dom Angélico trabalhou com os mais pobres, incentivando movimentos por creches, moradia e pressionando as autoridades. Em 1977, ameaçou suspender as missas para exigir segurança em ferrovias após um acidente.

Investigação sobre o gibi “Zé Marmita”

Em 1978, a ditadura investigou o gibi “As Aventuras de Zé Marmita”, que narrava a rotina nas fábricas e incentivava a luta dos trabalhadores. A suspeita era de financiamento por Dom Angélico, mas a Polícia Federal concluiu que a revista era produzida com doações e trabalho voluntário.

Legado de defesa dos trabalhadores

Dom Angélico sempre defendeu a atuação da Igreja ao lado dos trabalhadores, afirmando que a instituição não tinha partido político, mas buscava creches, escolas e hospitais para a população. Ele faleceu deixando um legado de luta por justiça social e direitos humanos.

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