Arqueólogos descobriram a primeira grande necrópole da Idade do Ferro em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, com mais de cem tumbas e artefatos funerários, como joias de ouro e armas de cobre. A necrópole tem cerca de três mil anos e a análise dos restos humanos pode revelar informações sobre a saúde e as relações familiares da população da época. As tumbas foram feitas cavando um poço e seladas com tijolos ou pedras, o que explica a dificuldade em encontrar sepulturas desse período na região. A Idade do Ferro também trouxe inovações, como o falaj, um aqueduto subterrâneo que ajudou na agricultura. Essa descoberta é parte do projeto “Paisagens Funerárias de Al Ain”, que começou em 2024 para estudar tumbas pré-históricas.
Descoberta Necrópole da Idade do Ferro em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos
A primeira grande necrópole da Idade do Ferro foi descoberta na região de Al Ain, em Abu Dhabi, pelos Emirados Árabes Unidos. O anúncio foi feito recentemente pelo Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi (DCT Abu Dhabi). A necrópole, com cerca de três mil anos, contém mais de cem tumbas e diversos artefatos funerários.
Arqueólogos do DCT Abu Dhabi encontraram joias de ouro, recipientes cosméticos de conchas, colares de contas, braceletes, anéis, lâminas e conjuntos de bebida, incluindo vasos com bico, tigelas e pequenas xícaras. Também foram localizadas armas de liga de cobre, como pontas de lança e flechas. A qualidade dos objetos encontrados demonstra a sofisticação da época.
Análise do DNA pode revelar padrões migratórios
Os restos humanos encontrados nas tumbas são frágeis e passarão por análise para determinar idade, sexo e estado de saúde. A análise do DNA poderá fornecer informações sobre relações familiares e padrões de migração da população que habitava a região há três mil anos.
“Essa descoberta promete transformar nossa compreensão dos antigos Emirados”, afirmou Jaber Saleh Al Merri, diretor do Departamento de Ambiente Histórico do DCT Abu Dhabi, ao jornal *Gulf News*. “Por anos, as tradições funerárias da Idade do Ferro permaneceram um mistério, mas agora temos evidências concretas que nos aproximam das pessoas que viveram aqui.”
Tumbas eram seladas com tijolos de barro ou pedras
As tumbas foram construídas escavando um poço de aproximadamente dois metros de profundidade. Em seguida, cavava-se lateralmente para criar uma câmara de sepultamento oval. Após a colocação do corpo e dos objetos, a entrada era selada com tijolos de barro ou pedras e, por fim, era preenchida com terra. A ausência de marcadores de túmulo na superfície pode explicar a raridade de descobertas de tumbas da Idade do Ferro na região.
Falaj impulsionou expansão agrícola na Idade do Ferro
A Idade do Ferro foi marcada pela invenção do *falaj*, um tipo de aqueduto subterrâneo que contribuiu para um período de expansão agrícola. Arqueólogos já haviam descoberto vilas, fortes, templos, *aflaj* e jardins de palmeiras antigos na região, datados desse período.
“Sabemos como as pessoas da Idade do Bronze e do período pré-islâmico tardio enterravam seus mortos, mas a Idade do Ferro sempre foi uma peça que faltava no quebra-cabeça”, explicou Tatiana Valente, arqueóloga de campo do DCT Abu Dhabi, ao *Khaleej Times*. “Agora, estamos em posição de entender a evolução dos costumes funerários ao longo do tempo e aprender o que essas mudanças podem nos dizer sobre as crenças e tradições das pessoas que viveram aqui.”
Os Sítios Culturais de Al Ain são Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2011. A escavação faz parte do projeto “Paisagens Funerárias de Al Ain”, iniciado em 2024 para examinar tumbas pré-históricas identificadas durante obras de construção.
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