Os Picuris Pueblo, um povo indígena do Novo México, conseguiram provar sua ligação ancestral com os antigos habitantes de Pueblo Bonito, uma grande construção em Chaco Canyon, através de um estudo de DNA. Essa pesquisa, publicada na revista Nature, revelou que os Picuris atuais têm um forte parentesco genético com os antigos moradores da região, que abandonaram suas construções há cerca de 800 anos. O trabalho foi realizado em colaboração com cientistas, incluindo brasileiros da UFMG, e foi possível graças à confiança construída ao longo de décadas entre os pesquisadores e os Picuris. O estudo analisou o DNA de 16 indivíduos antigos e de 13 membros atuais da comunidade, mostrando que os Picuris são os mais próximos geneticamente dos antigos habitantes de Pueblo Bonito. Essa descoberta reforça a reivindicação dos Picuris sobre o território, que consideram sagrado, e pode ajudá-los a ter mais voz em decisões sobre o uso da terra. A pesquisa também destaca a importância de respeitar a cultura indígena e a necessidade de envolvê-los nas decisões sobre seus próprios dados genéticos.
Os Picuris Pueblo, um povo indígena do Novo México, confirmaram sua ancestralidade com os antigos habitantes de Pueblo Bonito, por meio de uma pesquisa genética publicada na revista Nature. O estudo, que envolveu a análise de DNA de indivíduos antigos e atuais, reforça a conexão dos Picuris com a região de Chaco Canyon, onde construções monumentais foram abandonadas há cerca de 800 anos.
A pesquisa foi motivada pela necessidade dos Picuris de demonstrar sua ligação histórica com o território, que consideram sagrado. A ideia surgiu após assistirem a uma palestra do geneticista dinamarquês Eske Willerslev, que destacou a importância do DNA antigo na revelação de ancestralidades. As lideranças Picuris, como Craig Quanchello e Richard Mermejo, buscaram a colaboração do arqueólogo Michael Adler, que já tinha uma relação de confiança com a comunidade.
Os pesquisadores analisaram o DNA de 16 indivíduos antigos e de 13 membros atuais da comunidade Picuris. A comparação com dados de 5.500 indivíduos de diversas partes do mundo revelou uma forte semelhança genética entre os Picuris atuais e os antigos habitantes de Pueblo Bonito. Thomaz Pinotti, um dos autores do estudo, afirmou que nunca havia visto uma correspondência tão significativa.
Conexões Ancestrais
O estudo também revelou que a diversidade genética dos Picuris não indica um colapso populacional antes da chegada dos europeus. Segundo Pinotti, a análise sugere que o abandono de Pueblo Bonito foi um processo intencional, e não resultado de um colapso abrupto. A pesquisa destaca a continuidade cultural e genética do povo Picuris, que se considera descendente dos construtores de Chaco Canyon.
Com os resultados, os Picuris esperam ter mais voz nas decisões sobre o uso do Parque Nacional Histórico da Cultura Chaco. A pesquisa representa um avanço na colaboração entre ciência e comunidades indígenas, mostrando que a genética pode ser uma ferramenta poderosa para reivindicações territoriais. O arqueólogo Michael Adler enfatizou a importância do controle dos Picuris sobre o processo de pesquisa, o que fortalece a confiança na parceria.
A pesquisa não apenas valida a história oral dos Picuris, mas também abre caminho para futuras investigações sobre a dispersão dos antigos habitantes da região. A colaboração entre os pesquisadores e a comunidade indígena pode servir de modelo para projetos semelhantes, respeitando a identidade e os direitos dos povos originários.
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