Mark Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra, agora é primeiro-ministro do Canadá e renunciou a seus passaportes britânico e irlandês, mantendo apenas o canadense. Ele planeja fortalecer as relações do Canadá com a Europa e a Ásia, promovendo o multilateralismo e a defesa, especialmente após a guerra comercial com os EUA e as ameaças de Donald Trump. Carney busca novas alianças e já fez contatos com líderes europeus e da ONU. No entanto, especialistas alertam que a interdependência econômica com os EUA e a necessidade de revitalizar a economia canadense podem limitar mudanças drásticas na política externa. A maioria do comércio canadense ainda é com os EUA, e a diversificação pode ser difícil. Carney pretende aumentar o gasto militar e reduzir a dependência dos EUA, mas isso levará tempo. O Canadá precisa fortalecer sua economia e infraestrutura para se posicionar melhor no cenário global.
Mark Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra, assumiu o cargo de primeiro-ministro do Canadá em março de 2025, renunciando a seus passaportes britânico e irlandês e mantendo apenas o canadense. Carney, líder do Partido Liberal, conquistou sua quarta vitória consecutiva desde 2015.
O novo primeiro-ministro planeja fortalecer as relações do Canadá com a Europa e a Ásia, promovendo o multilateralismo e a defesa. Ele busca enfrentar a interdependência econômica com os Estados Unidos e revitalizar a economia canadense, que enfrenta uma década de crescimento lento.
Em seu discurso de vitória, Carney destacou a importância de novas alianças, afirmando que o Canadá se tornará um parceiro mais confiável para a Europa e a Ásia. Ele mencionou a relação histórica com a Europa, simbolizada pela presença do rei Carlos da Inglaterra na abertura do Parlamento em Ottawa, um evento que não ocorria desde 1977.
Multilateralismo e Defesa
Carney, que assumiu a presidência do G7 em 2025, pretende impulsionar o multilateralismo. Após as eleições, ele fez chamadas a líderes europeus, incluindo António Costa, presidente do Conselho Europeu, e António Guterres, secretário-geral da ONU. O primeiro-ministro se posiciona como um defensor da cooperação internacional, especialmente em um contexto de crescente protecionismo.
Entretanto, especialistas alertam que a interdependência com os EUA e a situação econômica do Canadá podem limitar mudanças drásticas na política externa. O professor de Relações Internacionais Roland Paris afirma que, apesar das intenções de Carney, o Canadá continuará priorizando suas relações com os Estados Unidos, seu maior parceiro comercial.
Desafios e Oportunidades
A relação comercial com a Europa, embora positiva, enfrenta desafios. Matthew Levin, ex-embaixador em Espanha, observa que a possibilidade de estreitar laços em segurança depende do ceticismo canadense em relação à defesa europeia. Carney prometeu aumentar o gasto militar e colaborar com iniciativas de defesa da União Europeia.
A economia canadense, que ainda depende fortemente dos EUA, precisa de reformas para diversificar suas relações comerciais. Aumentar a capacidade de defesa e fortalecer a economia são prioridades para Carney, que busca preparar o Canadá para um papel mais ativo no cenário global, especialmente em um mundo multipolar.
Entre na conversa da comunidade