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Indígenas bororos celebram aceitação de pessoas trans em rituais tradicionais

Mulheres trans do povo bororo, Lisandra Uwaireudo e Majur Harachell Traytowu, falam sobre aceitação e preconceito em suas comunidades.

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Lisandra Uwaireudo, de 20 anos, e Majur Harachell Traytowu, de 33, são mulheres trans do povo bororo e compartilham suas experiências sobre aceitação e desafios. Após a morte da bisavó de Lisandra, as mulheres da aldeia se reuniram para rituais fúnebres, algo que Lisandra não poderia ter feito há cinco anos, quando ainda não se apresentava como mulher. Ela enfrentou preconceito, inclusive da própria mãe, mas acredita que isso se deve à falta de informação. Hoje, se sente aceita, especialmente pela avó. Majur, a primeira cacica trans do Brasil, também relata que o preconceito vem de fora da comunidade, onde sempre foi respeitada. Ela começou a transição durante a pandemia e destaca que sua família a apoiou. Ambas as mulheres falam sobre a aceitação de identidades de gênero diversas entre os bororos, que já reconheciam a transexualidade no passado. Kiga Bóe, outro indígena trans, fundou um coletivo para promover a articulação política da comunidade LGBTQIA+ indígena. Ele e outros, como Lilith Cairú e Ennã Sampaio, também compartilham suas histórias de luta e busca por aceitação, destacando a importância de manter a identidade indígena, mesmo em contextos urbanos.

Lisandra Uwaireudo e Majur Harachell Traytowu, mulheres trans do povo bororo, compartilham suas experiências de aceitação e os desafios enfrentados em suas comunidades. Ambas destacam a importância do acolhimento familiar e a luta contra o preconceito externo.

Após a morte da bisavó de Lisandra, as mulheres de sua aldeia se reuniram por cinco meses para cumprir os rituais fúnebres. Durante esse período, Lisandra, que se identifica como mulher, se sentiu acolhida, algo que não era garantido há cinco anos, quando ainda não se apresentava como tal. Ela enfrentou preconceitos, inclusive de sua mãe, mas acredita que isso se deve à falta de informação.

“Nosso povo, em geral, respeita as pessoas trans. Hoje, todo mundo da família me aceita, principalmente minha avó”, afirma Lisandra, da aldeia Tadarimana, em Mato Grosso. A aceitação é um sentimento compartilhado por Majur, a primeira cacica trans do Brasil, que relata que o preconceito geralmente vem de fora da comunidade.

Majur, que vive na aldeia Apido Paru, começou sua transição durante a pandemia e se tornou cacica em 2019. Ela destaca que a transexualidade não é uma novidade para os bororo, que historicamente reconhecem identidades de gênero diversas. “Dentro da comunidade, nunca houve preconceito. O preconceito vem de fora”, diz Majur.

Ambas as mulheres enfrentam desafios ao sair de suas aldeias. Majur menciona que, ao visitar a cidade de Rondonópolis, sente olhares de desprezo. A luta pela aceitação e reconhecimento das identidades de gênero é uma constante, mas a força da comunidade bororo se reflete no apoio familiar e na história de aceitação que permeia sua cultura.

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