O número de deslocados no mundo aumentou significativamente, atingindo o dobro em relação a uma década atrás. Em 2024, o Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) identificou dez crises humanitárias desatendidas, com o Camerún sendo o mais negligenciado. O país enfrenta 2,8 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda, o que representa uma situação crítica. O […]
O número de deslocados no mundo aumentou significativamente, atingindo o dobro em relação a uma década atrás. Em 2024, o Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) identificou dez crises humanitárias desatendidas, com o Camerún sendo o mais negligenciado. O país enfrenta 2,8 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda, o que representa uma situação crítica.
O NRC analisou a falta de atenção humanitária com base em três critérios: escassez de financiamento, baixa cobertura midiática e ausência de vontade política. O relatório destaca que 26 milhões de deslocados permanecem invisíveis e sem assistência. O Camerún, que vive uma década de conflitos, teve menos de 30 mil menções na mídia internacional, em contraste com as 500 mil menções sobre a Ucrânia.
Além do Camerún, o NRC incluiu Mozambique e Honduras na lista de crises. Mozambique enfrenta violência crescente na província de Cabo Delgado e os efeitos de um ciclone tropical. Honduras, por sua vez, se tornou um ponto de passagem para migrantes, recebendo quase 375 mil refugiados de países como Venezuela e Cuba.
Crises em Destaque
O relatório também aponta que Etiopia ocupa o segundo lugar na lista, com 2,3 milhões de deslocados internos e 1 milhão de refugiados. A guerra em Tigray e a violência nas regiões de Amhara e Oromia contribuíram para a necessidade de ajuda humanitária para 21 milhões de pessoas.
A falta de financiamento é uma preocupação central. Laila Matar, responsável de comunicações do NRC, afirmou que os recursos globais atendem apenas 50% das necessidades, enquanto nos países da lista, esse percentual cai para menos de 40%. Em Etiopia, apenas 28% das necessidades são atendidas, e em Malí, 39%.
O relatório ressalta que as crises humanitárias não se limitam a fronteiras nacionais. O NRC incluiu países que acolhem refugiados e enfrentam suas próprias crises, como Irã e Uganda. O Irã abriga mais de seis milhões de refugiados, enquanto Uganda acolhe 1,75 milhão.
A situação é alarmante, com milhões de pessoas deslocadas sem apoio adequado. O NRC destaca que a vulnerabilidade das populações é exacerbada pelas mudanças climáticas, que intensificam a frequência de desastres naturais e agravam a insegurança alimentar.
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