Niède Guidon, renomada arqueóloga, faleceu aos noventa e dois anos na última quarta-feira (4), em sua residência em São Raimundo Nonato, Piauí, vítima de um infarto. Sua morte gera preocupações sobre a continuidade de seu trabalho na Serra da Capivara, onde dedicou décadas à preservação e ao desenvolvimento da comunidade local. Raimundo de Lima Miranda […]
Niède Guidon, renomada arqueóloga, faleceu aos noventa e dois anos na última quarta-feira (4), em sua residência em São Raimundo Nonato, Piauí, vítima de um infarto. Sua morte gera preocupações sobre a continuidade de seu trabalho na Serra da Capivara, onde dedicou décadas à preservação e ao desenvolvimento da comunidade local.
Raimundo de Lima Miranda Júnior, proprietário do hotel Baixão do Ouro, destaca que Guidon sempre enfatizou a importância de preparar a comunidade para dar continuidade a suas iniciativas. “Depende de nós agora”, afirma Júnior, que cresceu em Sítio do Mocó e frequentou as escolas criadas por Guidon. Essas instituições, parte dos Núcleos de Apoio à Comunidade (NACs), funcionaram entre 1989 e 2001 e ajudaram a integrar a população na proteção do parque, atendendo cerca de 2,5 mil crianças.
A transformação da região começou com a criação do Parque Nacional Serra da Capivara em 1979. Guidon implementou projetos que geraram emprego e renda, permitindo que os moradores deixassem de migrar para outras regiões em busca de trabalho. Júnior, que se tornou técnico de arqueologia, relata que a vida da família mudou drasticamente quando seu pai começou a trabalhar com Guidon.
Legado e Impacto
Talita Aparecida Landim de Souza, guia no parque, também teve sua vida impactada por Guidon. Ela ressalta que a arqueóloga mostrou que a preservação poderia ser uma fonte de renda. Talita, que se mudou para Sítio do Mocó aos quatorze anos, testemunhou o crescimento da comunidade, que agora abriga pousadas e artesãos.
Guidon incentivou a inclusão das mulheres no mercado de trabalho, promovendo sua contratação em escolas e parques. “Hoje, nas guaritas dos parques, são só as mulheres que trabalham”, afirma Talita, destacando a mudança significativa na dinâmica social da região. O legado de Niède Guidon permanece vivo, com a comunidade comprometida em continuar seu trabalho de preservação e desenvolvimento.
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