A agropecuária brasileira, que impulsionou o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2024, enfrenta desafios com a desaceleração econômica. Apesar de um aumento de 12,2% em relação ao trimestre anterior e 10,2% em um ano, os custos elevados e os juros altos impactam a rentabilidade dos produtores. As vendas de veículos nas cidades agrícolas […]
A agropecuária brasileira, que impulsionou o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2024, enfrenta desafios com a desaceleração econômica. Apesar de um aumento de 12,2% em relação ao trimestre anterior e 10,2% em um ano, os custos elevados e os juros altos impactam a rentabilidade dos produtores.
As vendas de veículos nas cidades agrícolas cresceram 101% de janeiro a abril, superando a média nacional. A taxa de desemprego em estados como Mato Grosso, com 3,5%, é inferior à média nacional de 7%. O aumento na frota de aviões particulares, especialmente os turboélices, reflete a demanda crescente do agronegócio, com um crescimento de 8,4% em 2024.
Desafios e Expectativas
Os custos de produção elevados e a queda nas cotações internacionais têm pressionado os lucros dos agricultores. Alexandre Baumgart, presidente das Fazendas Reunidas Baumgart, afirmou que a falta de crédito e os juros altos forçaram uma redução de 40% nos investimentos. Orcival Guimarães, da Boa Esperança Agropecuária, classificou os juros atuais como “insuportáveis”.
O movimento nos portos também apresenta variações, com uma queda de 1,4% na movimentação total de grãos, mas um aumento de 4,5% na soja. O “PIB do agronegócio” representou 23,2% da economia no ano passado, demonstrando a relevância do setor.
Impacto Regional
A economia do Centro-Oeste, que é o principal produtor de soja, milho e algodão, deve crescer 6,7% em 2024, superando o Sudeste, que projeta 2,9%. A agropecuária, embora represente apenas 6,5% do PIB, gera um efeito multiplicador significativo na indústria e nos serviços, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Os efeitos indiretos da agropecuária, como os gastos de produtores e empregados, são fundamentais para o comércio local. O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, destacou que o crescimento do setor é um fator externo à política monetária, que não consegue controlar a dinâmica do agronegócio.
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