- Viticultura orgânica na França enfrenta desafio econômico e técnico, com solos fragilizados pelo cobre e convicção ecológica em jogo.
- Em 2024, uma das piores safras da década atingiu a região, com colheita reduzida drasticamente e 22 usos de tractor nas vinhas.
- O cobre, lavado pela chuva, impediu ações eficazes e contribuiu para perdas significativas na produção.
- O Domaine Michel Redde et Fils, em Pouilly-sur-Loire, vendeu a safra ao négoce e decidiu não faturar o millésimo, após tentativas de reação ao mildiou.
- O movimento de conversão ao bio ocorreu já em 2020 em várias regiões (Loire e Bordeaux), com certificação em 2023; em 2024, o mesmo cenário reacende a dúvida sobre manter o cultivo orgânico.
No Vale do Loire, a viticultura biológica enfrenta uma encruzilhada. Em 2024, a safra foi marcada por perdas expressivas e dúvidas sobre a viabilidade do cultivo orgânico, após anos de investimento na certificação.
Sébastien Redde, do Domaine Michel Redde et Fils, em Pouilly-sur-Loire, afirma que a empresa enfrentou uma provável perda de safras. Ao longo de quatro anos de conversão, a vindima de 2024 registrou impactos devastadores no terroir e na produção.
A região vive um ciclo de pressão econômica e ambiental. Mesmo com o label obtido em 2023, a colheita quase foi inteiramente comprometida por doenças fitossanitárias e pela chuva, que removibilizou tratamentos de cobre antes de sua aplicação.
Desafios da viticultura biológica
Extensa aplicação de tratamentos em períodos críticos resultou em 22 passagens de tratores nas vinhas, segundo relatos de produtores. A condição climática favoreceu o mildiou, que atingiu principalmente ramos jovens, reduzindo a produção.
Desde 2020, vinícolas de Loire e de Bordeaux iniciaram conversões para o bio, conquistando certificação em 2023. Em 2024, mesmo com o reconhecimento, muitas decidiram não continuar no ciclo atual, questionando a relação entre convicção ecológica e peso econômico.
Entre na conversa da comunidade