- Estudo publicado na Nature revelou que a costa do Brasil abriga um dos maiores sistemas de corais do mundo, conectando a Guiana Francesa ao sudeste brasileiro, em cerca de quatro mil quilômetros.
- O trabalho mostra um vasto sistema ao longo da costa semiárida do Nordeste — Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte — com aproximadamente mil quilômetros de recifes.
- Os pesquisadores afirmam que os sistemas da Amazônia, da costa leste e da costa semiárida estão conectados, formando uma rede contínua ao longo do país.
- Os corais brasileiros, em sua maioria, ficam em profundezas e são observados por mergulho, satélites, vídeos e fotos, diferente da Grande Barreira de Corais, na Austrália, que é mais rasa.
- A pesquisa aponta potencial econômico e tecnológico: estima-se que cada hectare de recife gere cerca de US$ 355 mil por ano, além de oportunidades em turismo, biotecnologia e conservação por meio de áreas marinhas protegidas.
Um estudo publicado na Nature revelou que a costa brasileira abriga um dos maiores sistemas de corais do mundo. Pesquisadores de vários países mapeiam a extensão de 4 mil km desde a Guiana Francesa até o sudeste brasileiro, formando um único sistema.
A pesquisa aponta um recorte adicional: um vasto sistema ao longo da costa semiárida do Nordeste, incluindo Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, com cerca de 1.000 km de extensão. O estudo envolve 23 autores, entre eles um pesquisador brasileiro.
Segundo Marcelo Soares, do Labomar/UFC, a ligação entre o sistema da Amazônia, a costa semiárida e a costa leste resulta em uma rede contínua de recifes. Ele ressalta que essas comunidades estão menos rasas que a Grande Barreira de Coral, exigindo mergulho e imagens deSatélite para observação.
O pesquisador destaca diferenças em relação à Grande Barreira, com grande parte dos recifes brasileiros localizados em profundidades que dificultam a visualização direta. Os recifes brasileiros passam a ser avaliados por técnicas que incluem vídeos e fotos submarinas.
A descoberta reforça o potencial econômico e científico das áreas, com estimativas de que cada hectare de recife gere US$ 355 mil por ano para a sociedade. Entre oportunidades, ele cita turismo de mergulho, uso tecnológico e bioprospecção.
Os corais são berçários de várias espécies, influenciando a pesca local. A pesquisa orienta ações de conservação, como criação de unidades de conservação marinha, controle de espécies invasoras e compatibilização de atividades portuárias e energéticas.
O estudo reforça o papel do Brasil na conservação marinha, sugerindo políticas públicas que integrem proteção ambiental com desenvolvimento econômico. O pesquisador destaca o potencial de liderança institucional e inclusão social.
Principais barreiras de corais do mundo
- Barreira Florida Keys, EUA: sistema de cerca de 360 km, com rica biodiversidade marinha.
- MBRS Mesoamericano: quase 1.000 km, litoral de México a Honduras, um dos ecossistemas mais diversificados.
- Barreira de Recife da Nova Caledônia: maior que 1.500 km, envolve áreas ao redor da Grande Terre.
- Coral do Mar Vermelho: mais de 2.000 km, abrange várias nações da região.
- Grande Barreira de Coral da Austrália: maior do mundo, com mais de 2.900 recifes e 900 ilhas.
Entre na conversa da comunidade