- A Naratis, empresa francesa de pesquisa por IA, usa conversas com IA para pesquisa qualitativa, buscando maior profundidade do que entrevistas tradicionais.
- O método substitui entrevistas longas por diálogo com IA para entender como as pessoas formam ou mudam opiniões, não apenas o que dizem.
- A empresa afirma que o processo é 10 vezes mais rápido, 10 vezes mais barato e 90% tão preciso quanto a pesquisa humana.
- O setor enfrenta queda de resposta em pesquisas tradicionais, o que eleva custos e pode reduzir representatividade, gerando desconfiança pública.
- No político, há cautela: algumas firmas não utilizam respondentes gerados por IA; o caminho provável é híbrido, com IA apoiando, mas com supervisão humana e regulação.
A empresa francesa Naratis lançou uma metodologia de pesquisa de opinião baseada em inteligência artificial para entender não apenas o que as pessoas pensam, mas como formam suas opiniões. O projeto, iniciado em 2025, utiliza agentes de IA para conduzir conversas e analisar respostas em tempo real.
Segundo o fundador Pierre Fontaine, a abordagem substitui entrevistas presenciais ou por painéis por diálogos com IA, mantendo o foco qualitativo. A promessa é de velocidade, redução de custos e profundidade na compreensão de raciocínios por trás das posições dos respondentes.
A Naratis afirma que o método é cerca de 10 vezes mais rápido, 10 vezes mais barato e com aproximadamente 90% da precisão em relação à sondagem humana. Os resultados costumam chegar em 24 horas, permitindo reação rápida a eventos.
O que muda na prática é a substituição de entrevistas não estruturadas por conversas com IA, com a possibilidade de explorar mudanças de opinião ao longo do tempo. A empresa destaca que a técnica prioriza entender processos de pensamento, não apenas o resultado final.
Apesar dos ganhos, o setor reconhece riscos. A hallucinação de respostas e a criação de dados sintéticos podem comprometer a confiabilidade. A privacidade dos respondentes e a transparência sobre a origem dos dados são pontos de atenção.
Especialistas lembram que pesquisas qualitativas costumam ser menos previsíveis que as quantitativas e que falhas do passado, como falhas em prever resultados eleitorais, não devem manchar a avaliação de métodos qualitativos com IA.
Empresas de pesquisa já utilizam IA em áreas correlatas. Em mercados como o de consumo, a IA analisa conteúdos de vídeos ou dados comportamentais para complementar relatos declarados pelos participantes, ampliando o conjunto de evidências.
No campo político, porém, a cautela permanece. Algoritmos podem produzir respostas simuladas ou falas que não correspondem a cenários reais, o que exige supervisão humana para validar resultados e sustentar a confiabilidade.
Analistas destacam que as atividades com IA devem ser vistas como complemento, não substituição completa de entrevistadores. A supervisão humana continua crucial para responsabilização e interpretação adequada dos dados.
O caminho provável, segundo especialistas, é o de uma evolução híbrida: ampliar o alcance de pesquisas conversacionais, incorporar dados de redes sociais e acelerar insights, sem abandonar o escrutínio humano. A regulação e a ética serão determinantes para o uso adequado.
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