Muito antes da estreia, “Dark Horse” já se transformou em um dos filmes politicamente mais barulhentos do ano. O longa sobre a trajetória de Jair Bolsonaro mistura atores brasileiros e americanos em uma escalação pensada claramente para dialogar com dois públicos ao mesmo tempo: a base conservadora internacional que acompanha Bolsonaro e o eleitorado brasileiro […]
Muito antes da estreia, “Dark Horse” já se transformou em um dos filmes politicamente mais barulhentos do ano. O longa sobre a trajetória de Jair Bolsonaro mistura atores brasileiros e americanos em uma escalação pensada claramente para dialogar com dois públicos ao mesmo tempo: a base conservadora internacional que acompanha Bolsonaro e o eleitorado brasileiro acostumado aos rostos da TV nacional.
No centro da produção está Jim Caviezel, escolhido para interpretar o ex-presidente. A escalação não parece acidental. Caviezel interpretou Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo” e, nos últimos anos, tem se declarado conservador. A imagem construída pelo ator ao longo da carreira conversa diretamente com os valores da direta brasileira. Para gravar o longa, ele passou cerca de três meses no Brasil.
Para interpretar Michelle Bolsonaro, a produção escolheu Camille Guaty, atriz americana com carreira consolidada na televisão dos Estados Unidos. Ela participou de séries populares como “Prison Break” e “The Good Doctor”. A escolha parece estar alinhada ao perfil de Michelle: uma figura mais ligada à comunicação, à imagem pública e ao universo evangélico contemporâneo.

Filhos terão papel tão fundamental no filme como na carreira do pai
Os filhos de Bolsonaro também aparecem como peças importantes na narrativa.
Eduardo Bolsonaro será interpretado pelo norte-americano Edward Finlay. O ator já trabalhou em produções de perfil militar e político, como “The Six Triple Eight”. Sua escalação reforça o tom internacional que o filme tenta construir em torno da figura de Bolsonaro e de sua aproximação com setores conservadores dos Estados Unidos.

Já Carlos Bolsonaro será vivido pelo brasileiro Sergio Barreto, conhecido por trabalhos em séries nacionais como “Emergência Radioativa” e no filme “Oficina do Diabo”, da Brasil Paralelo (2024). Entre os filhos, Carlos aparece como um dos personagens politicamente mais estratégicos dentro da estratégia do grupo político do pai, especialmente pela atuação digital e pela comunicação agressiva nas redes, e o filme deve explorar justamente esse bastidor.

Quem interpreta Flávio Bolsonaro é Marcus Ornellas, ator conhecido por novelas, thrillers e dramas românticos na televisão brasileira. Ornellas ganhou visibilidade em produções como “Mulher de Ninguém” e “Eternamente Apaixonados”. A escolha ajuda a aproximar o longa do público brasileiro mais tradicional de TV aberta e streaming nacional.

Dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta iraniano-americano conhecido por produções de forte temática religiosa e política, “Dark Horse” tenta reconstruir momentos decisivos da carreira de Bolsonaro, da atuação como deputado à facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
A produção ainda reúne nomes internacionais como Lynn Collins, de John Carter, e Esai Morales, que recentemente apareceu em “Missão: Impossível – O Acerto Final”.
Mais do que um filme biográfico, “Dark Horse” parece tentar reconstruir uma narrativa e transformar a política brasileira em tema recorrente no cenário internacional.
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