- Banco do Brasil revisou para baixo as expectativas de lucro para 2026, com piora no agronegócio, aumento da inadimplência e maior provisionamento.
- O mercado questiona se os problemas do BB são apenas reflexo do ambiente ou também de gestão e execução da carteira de crédito.
- Itaú Unibanco mantém alta qualidade operacional, lucro recorrente acima de R$ 12 bilhões no trimestre e ROE próximo de 24% a 25%.
- Bradesco mostra evolução gradual, com avanços em eficiência, seguros e qualidade operacional, mas ainda distante dos patamares históricos de rentabilidade.
- Santander Brasil permanece sólido, mas com crédito mais seletivo; o BB passa a enfrentar perda de previsibilidade e queda de credibilidade diante das revisões de guidance.
O primeiro trimestre de 2026 mostrou novamente a vantagem competitiva dos bancos privados no Brasil, mesmo com juros elevados, desaceleração econômica e maior seletividade de crédito. O destaque negativo ficou com o Banco do Brasil, que revisou para baixo suas expectativas de lucro.
Enquanto o setor inteiro registrava rentabilidade e resultados estáveis, o BB passou a gerar dúvidas sobre se seus problemas são apenas impactos do ambiente ou indicam falhas de gestão e execução. O clima de incerteza se acentuou com novas revisões de guidance.
Itaú segue como referência de eficiência
O Itaú manteve sólido desempenho, com ROE esperado entre 24% e 25%, conforme o mercado. O banco apresentou lucro recorrente superior a R$ 12 bilhões no trimestre, mantendo alta previsibilidade operacional e geração de caixa.
Bradesco avança, ainda com espaço para melhoria
O Bradesco mostrou evolução gradual, com resultados em melhoria contínua nos últimos trimestres. A avenida de recuperação passa por eficiência, seguros e qualidade operacional, mas ainda não atinge os níveis históricos desejados.
Santander Brasil permanece estável, porém cauteloso
O Santander Brasil teve um trimestre mais exigente, devido ao crédito mais seletivo e maior cautela em segmentos de maior risco. A rentabilidade permanece em patamar saudável, mas o crescimento precisa avançar sem deteriorar a carteira.
Banco do Brasil de olhos abertos para a credibilidade
O mercado permanece atento ao BB pela queda de previsibilidade. A instituição revisou novamente as projeções para 2026, citando agravamento do agronegócio, inadimplência elevada e maior necessidade de provisões.
Essa reação ocorre em meio a sinais de deterioração na carteira agro, especialmente em regiões financeiramente pressionadas. A expansão de crédito em segmentos mais arriscados é apontada como fator contribuinte para as avaliações.
O que muda para o investidor
O setor bancário continua relevante para investidores de longo prazo, com rentabilidade e geração de caixa elevadas. Contudo, a gestão de crédito, a qualidade das carteiras e a previsibilidade de resultados ganham destaque na avaliação de risco.
O Itaú consolida-se como referência de qualidade, enquanto o Banco do Brasil enfrenta escrutínio sobre estratégia de crédito e governança. A escolha de ativos e a disciplina na concessão de crédito ganham relevância decisiva na carteira de investimentos.
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