- Em 2015, a Nasa iniciou o estudo Twins Study, acompanhando Scott Kelly por 340 dias na ISS, com o irmão gêmeo Mark na Terra como referência biológica.
- Durante a missão, os telômeros se alongaram inicialmente, mas encurtaram rapidamente no retorno à gravidade, sugerindo que o espaço não reverte o envelhecimento.
- A expressão gênica mudou em cerca de 7% dos genes analisados, afetando imunidade, metabolismo, reparo do DNA e resposta ao estresse fisiológico.
- O sistema imunológico mostrou sinais de alerta constante e o microbioma intestinal variou, com normalização gradual após o retorno, destacando a necessidade de acompanhamento.
- Alterações cognitivas ocorreram principalmente na readaptação à gravidade terrestre, com quedas temporárias na velocidade de processamento e na precisão de atividades.
Em 2015, a NASA deu início ao estudo Twins Study, acompanhando a missão de Scott Kelly na ISS por 340 dias, com o irmão gêmeo Mark Kelly na Terra como referência. O objetivo era entender como a permanência no espaço afeta células, genes e função cognitiva.
O experimento envolveu monitorar mudanças no DNA, no cérebro e no sistema imunológico. Telômeros, capas protetoras dos cromossomos, alongaram-se durante a missão, mas encurtaram-se aceleradamente após o retorno, indicando impactos no envelhecimento celular.
A expressão gênica também mudou, com cerca de 7% dos genes afetados. Quase todas as alterações voltaram ao normal ao retornar à Terra, embora algumas persistissem por mais tempo, sugerindo adaptação contínua do organismo.
O sistema imune mostrou sinais de alerta constante, e o microbioma intestinal apresentou variações em relação aos padrões pré-missão e aos dados terrestres. Esses indícios reforçam a necessidade de acompanhamento em missões longas.
Durante a readaptação à gravidade, ocorreram quedas temporárias na velocidade de processamento mental e na qualidade de algumas tarefas cognitivas. Pesquisadores associam essas alterações à combinação de microgravidade e radiação espacial.
Importância científica e implicações
O estudo, com a presença de um par de gêmeos idênticos, permitiu separar efeitos do ambiente espacial de fatores genéticos, fortalecendo a medicina espacial. Os resultados ajudam no planejamento de viagens mais longas, como à Lua e a Marte.
Os dados indicam que o corpo humano consegue adaptar-se a ambientes de longa duração fora da Terra, mas com custos biológicos mensuráveis. O acompanhamento contínuo é considerado essencial para futuras missões.
Perspectivas para futuras missões
A equipe científica aponta a necessidade de monitoramento extenso de telômeros, imunidade e microbioma em voos prolongados. Entender essas alterações facilita a proteção de astronautas em missões de longa duração.
A escolha dos irmãos Kelly, já veteranos, permitiu estabelecer uma base biológica sólida para o estudo. O Twins Study permanece como marco na compreensão dos efeitos do espaço no organismo humano.
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