- A uva Pineau d’Aunis é nativa do Loire e vive um renascimento após a phylloxera, com recuperação de plantios ao longo do século XX.
- A ascensão da variedade contou com o impulso de produtores como Jean-Pierre Robinot, Thierry Puzelat e Eric Nicolas, além de importadores como Louis Dressner que ajudaram a levar os vinhos aos EUA.
- Os vinhos explorados destacam notas de frutos vermelhos, acidez viva e uma savoryidade terrosa, com aromas de pimenta e salina.
- A matéria apresenta seis rótulos representativos dessa safra, cada um com características distintas e contextualização própria.
- Os vinhos listados são: Hommage à Louis Derré, Domaine de Bellivière; Pineau d’Aunis, Vin de France, Clos du Tue-Boeuf; Le Regard, Les Vignes de l’Ange Vin; La Belle d’Aunis, Domaine de la Roche Bleue; Adonis Pineau d’Aunis, La Grapperie; Patapon, Domaine le Briseau.
Pelo Loire, um antigo que se perdeu no tempo volta a ganhar espaço: Pineau d’Aunis, uma uva tinta que marcou a região no século XIII e que quase desapareceu após a phylloxera. A redescoberta contemporânea tem sido liderada por produtores e importadores que apostam na expressão deste grape varietal raro.
O renascimento, segundo especialistas, ocorreu a partir dos anos 2000, quando viticultores reaprenderam a cultivar a variedade em vinhedos velhos, mantendo vinificação cuidadosa para preservar a personalidade do Pineau d’Aunis. Hoje, a uva encontra espaço em rótulos que ganham destaque em lojas e cartas de vinho natural.
Os produtores-chave e o legado
A remontagem da linguagem deste vinho envolve nomes como Jean-Pierre Robinot, Thierry Puzelat e Eric Nicolas, entre outros, que estão na linha de frente da recuperação • Nicolas repovoou vinhedos com material de mais de 100 anos para alimentar Hommage à Louis Derré. Importadores como Louis Dressner ajudam a levar a uva aos Estados Unidos.
Para além da viticultura, as obras de Nicolas e de seus pares mostraram que Pineau d’Aunis não é apenas um vinho leve. A variedade pode expressar rusticidade, complexidade e acidez marcante, com potencial para harmonizações que vão além de opções simples de consumo.
A diversidade de estilos é perceptível nos rótulos disponíveis hoje, que variam de vinhos com leveza mineral a opções com maior estrutura tânica. A seguir, seis rótulos que ilustram essa amplitude de expressão.
Domaine de Bellivière, Hommage à Louis Derré, Coteaux du Loir
Destacado pela assinatura da casa, o vinho utiliza uvas de vinhedos centenários, em solos argilo-limosos. Apresenta aromas de ameixa, amora e cassis com notas de especiarias e musgo úmido. Taninos finos, paladar elegante e final longo.
Clos du Tue-Boeuf, Pineau d’Aunis, Vin de France
Cuvée lançada em 2015, vinificada sem sulfitos adicionados. Cor rubi translúcido, acidez vivaz e notas de laranja sanguínea, azeitona Castelvetrano e pimenta ao final, mantendo frescor e presença.
Jean-Pierre Robinot, Les Vignes de l’Ange Vin Le Regard, Vin de France
Fermentação em vinha inteira por três semanas, maturação de 15 meses em barril. Perfeito equilíbrio entre acidez alta e tanninos delicados, com notas de cranberry, romã e salinidade suave.
Domaine de la Roche Bleue, La Belle d’Aunis, Vin de France
Acuña as vinhas com mais de 50 anos, em solos argilosos. Maceração semi-carbonica de duas a três semanas, seguida de 12 meses em barril. Frutas vermelhas com especiarias quentes e final robusto.
La Grapperie, Adonis Pineau d’Aunis, Vin de France
100% Pineau d’Aunis, vinificado com base em vinhedos do Coteaux du Loir. Equilíbrio entre fruta vermelha, terra e mineralidade, com acidez marcante e final picante.
Domaine le Briseau, Patapon, Vin de France
Cuvée de Côteaux du Loir descaracterizada como Vin de France. Paladar médio, com perfume de morango, violetas e cereja, e notas de pimenta, chocolate e terra úmida. Perfil jovial, porém com presença estrutural.
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