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Aumento alarmante de suicídios entre detentos do ICE, revela investigação

Investigação da Associated Press aponta dez mortes por suicídio entre detentos do Serviço de Imigração e Alfândega desde janeiro de 2025, evidenciando falhas na saúde mental e no monitoramento

Brayan Rayo Garzon, who died by suicide in a Missouri ICE facility last year.
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  • Investigação da Associated Press aponta ao menos dez mortes por suicídio entre detainees do ICE desde janeiro de 2025, com sete casos desde outubro, número superior ao ritmo de crescimento da população sob custódia.
  • A despeito da soma, suicídios já correspondem a quase um quinto das cinquenta e uma mortes na custódia do ICE no período.
  • Um caso destacado é o de Brayan Rayo Garzón, colombiano detido no Missouri, que, após solicitar tratamento de saúde mental e a ligação com a mãe, foi encontrado inconsciente e morreu; autópsia confirmou suicídio.
  • Fatos apontam falhas no sistema: sinais de sofrimento não são acompanhados, tratamento é atrasado, detentos em isolamento sofrem impactos, e há lapsos na triagem inicial de até doze horas após a chegada.
  • Autoridades defendem protocolos e treinamentos, enquanto especialistas dizem que a atual gestão de detenção falha na identificação e atendimento de pessoas em risco; a maioria das vítimas era de homens hispânicos, com média de idade em torno de trinta e dois anos.

Uma investigação da Associated Press revela um aumento sem precedentes de suicídios entre pessoas sob custódia do Immigration and Customs Enforcement (ICE) nos Estados Unidos desde o início de 2025. O levantamento aponta, até agora, ao menos 10 casos de detentos que se suicidaram; a maioria eram homens de origem hispânica, com idade média de 32 anos.

Entre os casos está Brayan Rayo Garzon, detido em uma prisão do Missouri, na quarta noite de isolamento durante tratamento de Covid. Documentos indicam que ele pediu atendimento de saúde mental, mas o pedido foi adiado. Em bilhete escrito à mão, em espanhol, ele descreveu a preocupação da mãe. Uma hora após a retirada de uma nota pelo guarda, ele foi encontrado inconciente e, posteriormente, autópsia confirmou suicídio.

O salto no número de mortes ocorre em meio a críticas à política de deportação da gestão Trump, que intensificou operações de detenção e remoção de imigrantes. A AP analisou dados do ICE, autópsias, laudos de legistas e registros policiais para compor o panorama, que envolve várias unidades prisionais, incluindo centros operados por parceiros privados.

Parte das fatalidades ocorreu em instalações geridas por CoreCivic e GEO Group, empresas que atuam como parceiros de longa data do ICE. Em seis dos dez casos, as mortes ocorreram em prisões mantidas por esses operadores ou em acampamentos sob contrato. Em três casos, as mortes ocorreram em prisões administradas por sheriffs locais.

Especialistas ouvidos pela AP destacam falhas no monitoramento, na triagem inicial e no tratamento de saúde mental. Em algumas unidades, houve atraso no atendimento e acesso a itens que poderiam facilitar autoagressão. Também houve relatos de isolamento de internos em momentos de angústia.

Ainda segundo a apuração, nove das vítimas eram cidadãos de países latino-americanos que chegaram aos EUA de diferentes nações, incluindo México, Colômbia e Nicarágua. A faixa etária média era de 32 anos. Outros casos envolveram pessoas de origem chinesa e não houve registro de crimes violentos em parte dos casos.

A presidente da DHS, Lauren Kanarek Bis, afirmou que mortes por suicídio em custódia são “extremamente raras” e que os protocolos de detenção incluem avaliação psicológica. Contudo, especialistas apontam que a triagem inicial e o monitoramento de detentos em situação de risco nem sempre são eficazes.

O relato da AP também destaca que, desde janeiro de 2025, os internados representaram quase 20% das 51 mortes registradas na rede de custódia do ICE. Além disso, o recorte por instalações mostra que pelo menos três unidades teriam dificuldade em cumprir a triagem de entrada em até 12 horas após a detenção.

Caso de Rayo Garzon chama a atenção pelo desfecho trágico após a tentativa de contato com a mãe. O brasileiro foi detido em março de 2025, em Rolla, Missouri, após ser preso sob suspeita de crime, e morreu na cadeia de Phelps County, a cerca de 160 quilômetros de St Louis. Sua história ilustra os riscos de demora no atendimento de saúde mental durante a detenção.

A AP apurou ainda que cinco das mortes ocorreram em centros de detenção operados por CoreCivic ou GEO Group, e uma em um centro administrado por um novo contratado que já foi substituído. Em outras unidades, as fatalidades ocorreram em prisões de sheriffs locais ou em uma prisão federal.

A agência mantém que os detentos recebem atendimento médico abrangente, incluindo serviços de saúde mental. Em nota, representantes das empresas parceiras disseram trabalhar com treinamentos de prevenção ao suicídio e com políticas de segurança. As autoridades não divulgaram novos relatos adicionais até o fechamento deste material.

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