- Uma equipe da Universidade Politécnica de Hauts-de-France, em Valenciennes, apresentou um método para autenticar obras de arte e identificar possíveis falsificações.
- O estudo usa metrologia de superfície para analisar a textura e topografia das pinceladas, gerando um “contraface” matemático da assinatura do artista.
- Os pesquisadores aplicaram a técnica a nove pinturas de Vincent van Gogh, comparando dimensões fractais a partir de escaneamentos de alta resolução.
- O método identificou uma obra já conhecida como falsa como um “outlier forte” e confirmou a autenticidade da obra Sunset at Montmajou, reconhecida pelo Van Gogh Museum em 2013.
- Segundo os pesquisadores, a técnica é não invasiva e oferece uma impressão digital mensurável da pincelada do artista, sem necessitar de amostras ou danos à obra.
A equipe de cientistas da Polytechnic University of Hauts-de-France, em Valenciennes, apresentou um estudo sobre uma técnica inédita para autenticação de obras de arte. O método utiliza metrologia de superfície para identificar traços únicos da pincelada de cada artista. O artigo foi publicado na edição de junho de 2026 da revista Surface Topography: Metrology and Properties, revista revisada por pares.
Os pesquisadores Francois Berkmans, Ludovic Nys e Maxence Bigerelle defendem que a textura e a topografia das pinceladas funcionam como uma impressão digital. A técnica foca em dimensões fractais obtidas a partir de varreduras de alta resolução das superfícies das obras. O objetivo é comparar padrões de brushwork entre obras para confirmar autoria.
A equipe analisou nove pinturas de Vincent van Gogh para demonstrar a aplicação da técnica. Entre os itens estudados, identificou um fake conhecido como outlier extremo e avaliou, ainda, a autenticidade de Sunset at Montmajour, cuja autenticidade já havia sido confirmada pelo Van Gogh Museum em 2013.
Métodos e resultados
Segundo Berkmans, a abordagem não substitui a connhecimento tradicional de especialistas, mas oferece uma assinatura mensurável do traço do artista sem qualquer amostra física ou dano à obra. A metodologia é apresentada como um complemento rigoroso à avaliação estética.
Os resultados indicam que a técnica pode distinguir variações finas no toque do pincel, que não são perceptíveis a olho nu. A pesquisa sugere que o método pode ser usado como ferramenta adicional para investigações de autoria e detecção de forja.
Os autores destacam que a técnica ainda não substitui métodos convencionais de autenticação. Eles afirmam que o uso combinado de connoisseurship, análises técnicas e a nova abordagem de metrologia de superfície pode aumentar a confiabilidade dos pareceres.
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