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Fim da escala 6×1 eleva preços de imóveis em média 5,5%, diz Abrainc

  • PEC que prevê fim da escala de trabalho 6×1 pode elevar o preço dos imóveis no Brasil em média 5,5%, conforme Luiz França, presidente da Abrainc.
  • Abrainc aponta que o impacto financeiro para o setor fica entre 7,8% e 8,6%, com avaliação do Ministério do Trabalho entre 1,6% e 10,5%.
  • Prazo de adaptação é considerado insuficiente: 60 dias para a primeira redução de dois dias e mais 12 meses para os ajustes; entidade defende mínimo de cinco anos para a transição.
  • Reajuste de 5,5% no custo de financiamento de 30 anos poderia excluir cerca de 2,5 milhões de famílias do mercado imobiliário e pode aumentar a informalidade.
  • Setor mantém diálogo com governo e Congresso, incluindo reunião com o senador Davi Alcolumbre, que sinalizou cautela e análise aprofundada da proposta.

A proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais pode elevar o preço dos imóveis no Brasil em média 5,5%. A estimativa foi apresentada por Luiz França, presidente da Abrainc, em entrevista ao Money News. A avaliação considera impactos diretos sobre custos do setor imobiliário.

Segundo França, o custo adicional para o segmento já foi reconhecido pelo governo, com variação estimada entre 7,8% e 8,6% conforme dados apresentados pelo Ministério do Trabalho em audiência pública. A faixa de custo varia de 1,6% a 10,5% conforme o estudo citado.

Prazo de adaptação é tema de debate. A PEC prevê uma redução inicial de dois dias na escala em 60 dias, com demais ajustes em 12 meses. A Abrainc aponta que o calendário é insuficiente para ajustarem-se negociações coletivas e práticas de escala de trabalho de forma gradual.

Para a associação, há inconsistências entre dados internacionais citados na PEC e o que está proposto. França destacou exemplos de Chile, México e Colômbia para ilustrar períodos de transição maiores, defendendo um prazo mínimo de cinco anos para adaptação do setor.

A entidade aponta que as negociações setoriais devem ocorrer de modo gradativo, conforme relatório da própria PEC. O objetivo é evitar impactos abruptos que prejudiquem trabalhadores, empresas e o mercado de crédito para imóveis.

Impacto sobre o consumidor é destacado pela Abrainc. Um aumento de 5,5% no preço dos imóveis, levando em conta o financiamento de 30 anos, poderia excluir cerca de 2,5 milhões de famílias do mercado imobiliário, segundo a avaliação da associação.

Ainda segundo França, a elevação de custos pode estimular a informalidade no mercado de trabalho caso a PEC seja aprovada sem alterações. A restrição de flexibilidade de jornada seria associada à busca por renda adicional em ocupações informais.

A Abrainc permanece em diálogo com o governo e o Congresso. Em reunião com o Senado, a entidade apresentou sua posição e disse esperar uma análise aprofundada por parte da Casa, citando manifestações de que o Senado não deve apenas carimbar a proposta.

Caso não haja modificações, a Abrainc alerta que os efeitos seriam prejudiciais para a população, com aumento de custos e menor acesso à moradia. A entidade reforça a necessidade de ajustes que favoreçam equilíbrio econômico e social.

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