- Conservacionistas dizem que a demanda baseada em crenças está colocando abutres da África Central em risco, especialmente em países como o Chade.
- Em países como Nigéria e Benin, abutres são caçados vivos e mortos para crenças que dizem trazer sorte, proteção contra witchcraft e para uso de partes.
- Um estudo recente em N’Djamena mostrou poucos abutres perto de frigoríficos e lixões, e moradores relatam envenenamentos e caçadores vindos de outros países da região.
- Pesquisas indicam que boa parte dos animais vendidos nos mercados vem de países vizinhos, com redes de tráfico que cruzam fronteiras, exigindo cooperação regional.
- Peritos recomendam ações rápidas: sensibilização, fiscalização, pesquisas sobre cadeias de suprimento e opções sustentáveis para reduzir a demanda.
O interesse por abutres na África Ocidental está pressionando populações na África Central, segundo conservacionistas. A prática envolve uso baseado em crenças em países como Nigéria e Benim, conectando mercados regionais a populações vulneráveis.
Pesquisadores relatam que abutres presentes em Chad chegam a ser capturados com ajuda de moradores que indicam métodos para atrair as aves, usando carne envenenada de jumento como isca. A prática seria promovida por intermediários que já ajudaram outras pessoas.
Em Nigéria e Benim, o comércio de abutres acontece tanto vivos quanto mortos, alimentando crenças de sorte, proteção contra bruxaria e sucesso. Partes de abutres, ovos e ninhos também são comercializadas em mercados tradicionais.
Estudo recente mostra que o abutre-hooded, criticamente ameaçado, sumiu de áreas perto de matadouros e aterros na capital de Chad, Ndjamena. A ausência ocorre apesar da disponibilidade de alimento na região.
Coautores destacam que quase metade dos moradores entrevistados sabia de envenenamentos recentes e mais de um terço tinha conhecimento de caçadores de países vizinhos que capturavam ou matavam aves. A origem de muitos indivíduos ainda é de West Africa.
Outros levantamentos indicam que mercados em Benin trazem abutres de países como Gana, Burkina Faso, Nigéria e Níger, além de Camarões e Gabão. Pesquisas anteriores apontam que partes vendidas na Nigéria vinham até de Sudão.
Especialistas ressaltam que o comércio ultrapassa fronteiras nacionais, pedindo cooperação regional para mapear redes de abastecimento. A cadeia de suprimento é extensa e não está confinada a um único país.
Para evitar a expansão do comércio, pesquisadores indicam necessidade de conscientização, incremento da fiscalização e conservação de áreas naturais e urbanas onde as aves ainda persistem. Ações devem incluir investigação de cadeias de suprimento e promoção de alternativas sustentáveis para reduzir a demanda por abutres e suas partes.
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