- A ex-ministra nigeriana do petróleo foi absolvida de cinco crimes de recebimento de propina e conspiração para suborno em julgamento iniciado em janeiro.
- A investigação da National Crime Agency durou treze anos e terminou com o veredito de não culpada, segundo ela, foi dolorosa e traumática.
- Alison-Madueke afirma que as autoridades do Reino Unido destruíram sua reputação, impedindo-a de viajar e de trabalhar.
- Ela alega que documentos que poderiam comprovar sua innocence foram desaparecidos na Nigéria durante a apuração.
- Além disso, a Justiça dos Estados Unidos informou, em 2023, recuperação de ativos ligados a dois magnatas do petróleo citados no caso; a ex-ministra nega ter vínculos diretos com tais contratos.
Diezani Alison-Madueke, ex-ministra do Petróleo da Nigéria, foi considerada inocente nesta quarta-feira em Londres. Ela enfrentava cinco acusações de suborno e conspiração para cometer suborno, no âmbito de uma investigação que durou 13 anos conduzida pela National Crime Agency (NCA). A defesa sustenta que as acusações não teriam base.
O veredito foi proferido no Southwark Crown Court, após sessão que começou em janeiro. Alison-Madueke, 65 anos, liderou o setor petrolífero do país entre 2010 e 2015 e foi a primeira mulher a presidir a Opec. A acusação alega recebimento de propinas de magnatas do petróleo ligados a contratos governamentais.
Ela afirmou, em entrevista à BBC, que a investigação prejudicou sua reputação, limitou viagens e impedimentos de trabalho. A ex-ministra disse que houve perdas de documentos críticos no curso do processo e que parte das provas foi supostamente retirada por forças de segurança na Nigéria em 2015.
Desde o início do julgamento, a defesa questionou a condução do caso, citando supostas falhas no manejo de documentos e de evidências. O comunicado da NCA, após o veredicto, afirmou ter respeitado a decisão do júri.
Outros réus ligados ao caso também foram absolvidos ou não acusados, entre eles o irmão de Alison-Madueke, que atua como arcebispo, e um executivo do setor petrolífero. As autoridades mexicanas lembram que, em 2023, o Departamento de Justiça dos EUA recuperou cerca de 53 milhões de dólares em ativos de dois dos magnatas citados.
Em 2022, a Comissão Nigeriana de Combate à Corrupção (EFCC) informou a recuperação de aproximadamente 153 milhões de dólares e mais de 80 imóveis. Alison-Madueke afirmou, em resposta às informações de ativos, que não foi diretamente identificada como responsável por tais bens e que agora terá liberdade para apurar o que ocorreu.
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