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Futebol une o Brasil, diz embaixador brasileiro no Haiti

No Haiti, a violência persistente transforma o futebol em símbolo de orgulho e união nacional, enquanto diplomatas trabalham sob proteção de fuzileiros navais

Torcedores acompanham jogo contra a Escócia na Copa do Mundo, em Porto Príncipe, no Haiti,
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  • O embaixador brasileiro no Haiti, Luis Guilherme Nascentes da Silva, chegou ao posto há um ano e atua em Port-príncipe, cidade marcada pela violência e com o aeroporto fechado.
  • A situação no país é complexa, com uma federação de gangues que atua contra a sociedade e a polícia, além de brigas entre grupos criminosos e relações históricas com setores políticos e empresariais.
  • Port-príncipe é considerada uma cidade sitiada, e o embaixador depende da proteção de fuzileiros navais brasileiros para se deslocar com segurança.
  • O futebol é visto como instrumento de união nacional e de ascensão social, especialmente em um país que disputou a Copa do Mundo pela primeira vez em cinquenta e dois anos e foi classificado sem jogar em casa.
  • O Centro Cultural Brasil em Port-príncipe ganhou função de espaço de encontro para brasileiros, haitianos e organizações, tornando-se um centro de cultura em meio à violência.

O embaixador brasileiro no Haiti, Luis Guilherme Nascentes da Silva, afirma que a Copa do Mundo tem sido um elo de união em meio à violência que corrói Porto Príncipe. Ele descreve a capital como sitiada e com aeroporto fechado, dificultando deslocamentos. A embaixada conta com a proteção de fuzileiros navais para transitar pela cidade.

Nascentes da Silva, de 52 anos, chegou ao Haiti há pouco mais de um ano pela primeira vez na carreira. Ele descreve uma vida restrita na região, com restrições de horários e trajetos, e ressalta que a população haitiana é quem mais sofre com a violência cotidiana.

A entrevista, concedida ao portal UOL, aborda o papel do Brasil no Haiti após o fim da missão de paz da ONU. O embaixador afirma que o Brasil continua entre os parceiros internacionais, com apreço mútuo, mesmo sem ser o maior contribuinte.

O que acontece hoje no Haiti

O diplomata aponta uma federação de gangues que atua contra a sociedade e a polícia, com ocorrências de violência que envolvem grupos com vínculos históricos a elites políticas e empresariais. Explicita a complexidade da situação, evitado simplificações.

Para Nascentes da Silva, Porto Príncipe é uma cidade amplamente desprotegida. O foco está na proteção dos representantes da embaixada, o que restringe a circulação cotidiana. A população local também vive sob constantes riscos, especialmente após o pôr do sol.

O futebol como elemento de união

O embaixador enfatiza que o futebol funciona como vetor de transformação social e de orgulho nacional. O Haiti disputou a Copa do Mundo pela primeira vez sem jogar em seu território, elevando o sentimento de identidade nacional e esperança entre os haitianos.

Ele ressalta que a seleção brasileira tem relação histórica com o povo local, que torce pelos dois países. Os haitianos desejam ver o Haiti avançar e, se possível, chegar a uma final contra o Brasil, sem abandonar o apoio aos brasileiros.

Um espaço de encontro

Diante da violência, o Centro Cultural Brasil tornou-se um dos poucos espaços ainda abertos a brasileiros, haitianos e organizações internacionais. O local funciona como um espaço de encontro, promovendo cultura e servindo de referência para a comunidade em meio ao cenário de segurança adverso.

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