O Brasil deve realizar ainda nesta semana duas novas reuniões com representantes dos Estados Unidos, na tentativa de avançar nas negociações sobre novas tarifas contra produtos brasileiros. O prazo para a decisão americana é 15 de julho, e as tarifas somadas podem chegar a 37,5%. Apesar da pressão por um acordo, o governo brasileiro quer manter […]
O Brasil deve realizar ainda nesta semana duas novas reuniões com representantes dos Estados Unidos, na tentativa de avançar nas negociações sobre novas tarifas contra produtos brasileiros. O prazo para a decisão americana é 15 de julho, e as tarifas somadas podem chegar a 37,5%.
Apesar da pressão por um acordo, o governo brasileiro quer manter o etanol fora das discussões. As informações são da Agência Brasil.
Esse cenário foi apresentado nesta terça-feira (7) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, após uma rodada de reuniões técnicas com integrantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Segundo o ministro, uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial americano, Jamieson Greer, devem ocorrer antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre as tarifas. “O prazo é curto. Temos que focar no que pode dar resultado positivo”, afirmou.
Ainda de acordo com o ministro, as conversas indicam uma abertura dos Estados Unidos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional. Márcio Elias Rosa afirmou que o tema é uma demanda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que há espaço para avanços entre os dois países.
Nesta terça-feira (7) ocorreu o segundo dia da audiência do USTR sobre práticas comerciais brasileiras consideradas irregulares pelo governo americano. Ao menos 40 entidades e empresas brasileiras e estadunidenses se inscreveram para participar da sessão, que teve inicio nesta segunda-feira (6).
Cada participante teve até cinco minutos para defender os argumentos já apresentados ao USTR, contra ou a favor da taxação. Ao final deste tempo, representantes do escritório estadunidense fizeram perguntas adicionais que julgassem necessárias.
O senador Flávio Bolsonaro também esteve presente durante a sessão. O pré-candidato defendeu que as tarifas acabariam beneficiando o governo Lula, alvo da investigação do USTR, enquanto os custos recairiam sobre exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos, além da oposição no Brasil.

Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR que discutiu práticas comerciais brasileiras e possíveis novas tarifas contra produtos do país.
Brasil quer etanol fora das negociações
Márcio Elias Rosa também voltou a defender que o etanol não seja incluído nas discussões com os Estados Unidos. Segundo ele, tratar da tarifa sobre o biocombustível desconsidera a relação entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar e os impactos sobre a indústria brasileira.
O ministro destacou que o setor é estratégico, principalmente para o Nordeste, e defendeu que as cadeias de etanol e açúcar sejam analisadas em conjunto nas negociações. “Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, afirmou.
A posição do governo recebeu apoio de entidades do setor sucroenergético e do agronegócio durante audiência pública realizada pelo USTR. Entre elas estavam a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
O setor avalia que o Brasil e os Estados Unidos, que são os dois maiores produtores mundiais de etanol, deveriam priorizar a expansão do mercado internacional de biocombustíveis, em vez de ampliar as disputas comerciais entre os dois países.
Entenda a investigação dos Estados Unidos
As conversas entre Brasil e Estados Unidos acontecem ao mesmo tempo em que o USTR conduz uma apuração sobre práticas comerciais adotadas pelo governo brasileiro. O processo utiliza como base a Seção 301 da legislação americana de comércio.
Esse instrumento dá a Washington poder para avaliar se políticas de outros países afetam negativamente empresas dos Estados Unidos. A investigação pode levar à adoção de tarifas adicionais e de outras barreiras comerciais.
No caso do Brasil, a investigação envolve áreas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, além de tarifas preferenciais e combate à corrupção. O processo pode resultar em uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Paralelamente, o país também é alvo de outra apuração sobre a falta de medidas efetivas para barrar importações de bens produzidos com trabalho forçado, que prevê uma sobretaxa de 12,5%. Caso as duas medidas sejam aplicadas de forma cumulativa aos mesmos produtos, as tarifas adicionais podem chegar a 37,5%. Antes das decisões, os temas passam por audiências e consultas públicas conduzidas pelo governo americano.
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