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Em artigo na imprensa dos EUA, Lula volta a falar em “reciprocidade”

Presidente diz que Brasil nunca havia sido "qualificado como país não-amigo" por um secretário de Estado norte-americano

Encontro entre Lula e Trump na Malásia, em outubro de 2025 (Crédito: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, no jornal norte-americano The Washington Post,  um artigo com críticas às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. No texto, que foi reproduzido nas redes sociais do presidente, Lula classifica a medida do governo de Donald Trump como um “erro estratégico” e aponta o que chamou […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, no jornal norte-americano The Washington Post,  um artigo com críticas às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

No texto, que foi reproduzido nas redes sociais do presidente, Lula classifica a medida do governo de Donald Trump como um “erro estratégico” e aponta o que chamou de “motivação política”:

“Há um ano, fui surpreendido pela publicação, em uma plataforma digital, de carta do Presidente Donald Trump que impunha tarifa de 50% a produtos brasileiros. A menção, logo no primeiro parágrafo, ao ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado no ano passado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil — deixava explícita a motivação política da medida.”

No dia 22 de julho, por recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entrou em vigor a tarifa de 25% sobre uma lista de produtos de exportação brasileiros. A medida se baseou em investigação comercial lastreada pela Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Na visão do USTR, o Brasil adota práticas comerciais que prejudicam empresas e interesses dos Estados Unidos.

Dois dias depois, em 24 de julho, entrou em vigor uma segunda tarifa, de 12,5%. Desta vez, a justificativa dos EUA foi a inexistência de fiscalização suficiente, no Brasil e em outros 59 países, contra a importação de itens produzidos com trabalho forçado.

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a maior parte dos produtos afetados pela primeira tarifa também é atingida pela segunda, o que eleva a taxação para 37,5%.

No artigo publicado neste domingo (26) na imprensa norte-americana, Lula diz que os “diálogos” que manteve com Trump, bem como “dezenas de reuniões entre as equipes” dos dois países, foram desconsiderados:

“Como resultado, a Global Trade Alert, organização independente baseada na Suíça, estima que o Brasil e a Turquia são hoje os segundos países mais tarifados pelos Estados Unidos, depois apenas da China. E isso apesar do superávit norte-americano no comércio bilateral de bens e serviços, que ao longo de quinze anos consecutivos acumula 428 bilhões de dólares.”

Lula escreve ainda que as medidas são prejudiciais para ambas economias e que o volume de exportação do Brasil para os EUA está no “menor patamar desde 1997”. De acordo com o texto, no médio prazo, as tarifas vão “levar à desorganização de cadeias produtivas”.

Na segunda metade do artigo, Lula passa a abordar a relação entre os dois países ao longo da história e a atuação dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe – afirmando que as regiões “não precisam de porta-aviões rondando suas águas nem de punições tarifárias”.

As alegações do governo de Donald Trump para as investigações do USTR e para as tarifas sobre produtos brasileiros, como o Pix, a regulação das plataformas digitais e o desmatamento, também são abordadas. Após se referir ao secretário de Estado Marco Rubio, Lula conclui falando em “reciprocidade” e “subserviência”:

“Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras. … A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade nas plataformas de redes digitais. …. Nosso sistema de pagamentos, o Pix, não discrimina empresas norte-americanas e é uma referência internacional de infraestrutura pública digital. …  A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la. Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência.”

Veja abaixo a publicação do artigo do presidente Lula na rede social X (antigo Twitter).

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