Começa a valer nesta quarta-feira (22) a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros exportados ao país.
A decisão é resultado de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
Começa a valer nesta quarta-feira (22) a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros exportados ao país.
A decisão é resultado de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
A restrição comercial, anunciada na última quinta-feira (16), deve atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio nacionais, segundo avaliação da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
Entre os principais setores afetados estão máquinas industriais, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, equipamentos elétricos e eletrônicos que não integram a lista de isenções, além de autopeças, calçados, vestuário, móveis, ferramentas de jardinagem e diversos produtos manufaturados. O etanol brasileiro também será atingido pela nova tarifa de 25%.
Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas, políticas e medidas consideradas “acionáveis” pela legislação americana, por supostamente prejudicarem empresas e interesses comerciais dos norte-americanos. Com base nessa conclusão, o USTR determinou a aplicação da tarifa adicional sobre a maior parte das importações brasileiras, mantendo exceções apenas para uma lista de produtos considerados estratégicos para a economia americana.
Entre os principais produtos brasileiros que ficaram de fora do tarifaço estão carne bovina fresca, congelada e processada, miúdos bovinos, pescados, frutos do mar, mel orgânico, café solúvel sem sabor, cacau e derivados, água de coco, castanhas, além de diversas especiarias.
Em nota divulgada na data do anúncio dos EUA, o governo brasileiro repudiou a decisão e afirmou que “não há justificativa para medidas unilaterais” contra o país. Segundo o Palácio do Planalto, os próprios dados do governo americano mostram que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
O governo brasileiro afirmou ainda que não reconhece a legitimidade da investigação baseada na Seção 301 e disse ter apresentado, ao longo do último ano, evidências ao USTR para contestar todas as acusações. Segundo o Planalto, são “descabidas” as alegações relacionadas ao Pix, à regulação das plataformas digitais e ao desmatamento.
Brasil pode ser tarifado mais uma vez
O Brasil pode sofrer ainda um novo revés e ser tarifado novamente pelos EUA. Isso porque, o país e outras 59 nações, além da União Europa, são investigados pelo USTR por falhar na fiscalização e no combate ao trabalho escravo e forçado em sua cadeia produtiva.
Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. As conclusões dessa investigação devem ser divulgadas em breve, segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
A taxação pode representar uma nova pressão sobre as exportações brasileiras
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