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Pinguins da Antártida sofrem com mudanças climáticas após queda de krill em 80%

Queda de krill em oitenta por cento desde 1970 reduz populações de pinguins chinstrap e Adelie, evidenciando o efeito da mudança climática na base da cadeia alimentar

Chinstrap penguins. Photo by: NOAA/Mike Goebel.
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  • Pesquisa publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences aponta queda de 80% na população de krill no Oceano Antártico desde 1970, principal alimento de pinguins.
  • Pingüins-de-barbicha (chinstrap) e pinguins-adiélie (Adélie) tiveram declínio de estoque provávelmente devido à redução de krill, não a mudanças de habitat.
  • Nos últimos dez anos, as populações de chinstrap caíram em média 4,3% ao ano; as de Adélie, 2,9% ao ano.
  • Os krill dependem de gelo-mar para se reproduzirem; o recuo do gelo marítimo por mudanças climáticas dificulta a proliferação da espécie.
  • A pesca de krill no Southern Ocean pode se expandir, o que agrava o problema; as duas espécies de pinguins são listadas como Preocupação Menor pela IUCN, mas o status pode mudar com novas informações.

O estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) aponta que espécies de pinguins na Antártica sofrem queda de população devido ao declínio de krill, sua principal presa. A pesquisa liga a redução ao aquecimento global e ao recuo do gelo marinho, que prejudica a reprodução de krill.

Os chinstrap (Pygoscelis antarcticus) e os Adélie (Pygoscelis adeliae) mostram quedas significativas. Nos últimos dez anos, as duas espécies registraram quedas anuais de 4,3% e 2,9%, respectivamente, segundo a análise. O estudo relaciona as perdas à menor disponibilidade de krill.

Entre as evidências, os pesquisadores destacam que jovens pinguins sofrem mais com a escassez de alimento, com algumas colônias diminuindo pela metade. O declínio do krill compromete o crescimento e a sobrevivência de filhotes, afetando a dinâmica populacional.

Segundo o pesquisador Wayne Trivelpiece, líder do estudo, o aquecimento global ameaça de forma ampla o ecossistema antártico ao reduzir a disponibilidade de krill. O trabalho também discute que o krill depende de gelo do mar para se reproduzir, o que amplia o efeito do degelo.

A pesquisa aponta que o impacto atua mesmo com alguns pinguins favorecidos por mudanças de habitat, como os chinstrap, que preferem áreas sem gelo. Contudo, a queda de krill anula qualquer benefício potencial, ampliando o risco para as colônias.

Os Adélie, apesar de terem áreas de reprodução fora da parte ocidental da Antártica, continuam dependentes de habitats com gelo para procriação, o que os torna vulneráveis às flutuações climáticas. O estudo sustenta que a perda de krill é o elo-chave na trajetória populacional dessas espécies.

A oceanografia e a pesca de krill no Oceano Antártico podem agravar o quadro. A pesca comercial de krill, voltada para alimentação de aquicultura e isca, é citada como possibilidade de ampliar a pressão sobre a cadeia alimentar local.

Atualmente, a situação dos chinstrap e Adélie é classificada como Não Preocupante pela IUCN, mas o estudo sugere que o status pode mudar caso o declínio de krill persista. A matéria reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de políticas de preservação do ecossistema antártico.

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