- Vietnã é o maior produtor de Robusta e responde por mais de 17% da produção global, com cerca de 550 mil pequenos produtores e 500 mil trabalhadores sazonais.
- Predições indicam que, se a temperatura subir 2 °C até 2050, a área adequada para plantio de Robusta no país pode quase pela metade, de 32.558 para 17.943 milhas quadradas.
- A seca deste ano já evidencia a pressão climática, e especialistas veem maior frequência de variações climáticas, como El Niño, impactando safras no Centro Altos do país.
- Até 2050, 20% das áreas ainda adequadas para Robusta na região podem coincidir com áreas atualmente protegidas, elevando o risco de desmatamento.
- Medidas de adaptação passam pelo manejo de sombras e agroflorestas, com cooperativas treinadas pelo Fairtrade para reduzir desmatamento, melhorar a qualidade do café e manter a produção sem degradar florestas.
Vietnam enfrenta dilema ambiental ao perder área adequada para o café devido à mudança climática. O Robusta domina a produção vietnamita, respondendo por mais de 17% da produção global, com 550 mil pequenos produtores e 500 mil trabalhadores sazonais ligados à cadeia.
Especialistas do CIAT alertam que eventos climáticos extremos devem se tornar mais frequentes. Uma seca devastadora no Centro de Altos, núcleo produtor, ocorreu neste ano e pode afetar colheitas futuras. A previsão aponta-se como tendência de longo prazo para a região.
Segundo pesquisas da CIAT, até 2050 a duração da estação seca no sul e nos altos planaltos pode se estender até junho, quase três meses, com queda de até 20 mm de chuvas no período seco. A água é crucial, já que 90% do consumo na cafeicultura depende de irrigação.
A área adequada para o cultivo de Robusta pode reduzir pela metade, de 32 558 milhas quadradas para 17 943 milhas, conforme o estudo sobre o café na região. Medidas de manejo e irrigação insuflente agravam a pressão sobre solos e nutrientes.
Conservação e agroecologia
Pesquisas apontam que manter recortes florestais com coeficiente de sombreamento pode proteger a produção. Práticas de agroforestry ajudam a moderar temperaturas e reduzir demanda por desmatamento para expansão de lavouras.
A organização Fairtrade Asia e Pacific trabalha com cooperativas vietnamitas para treinar produtores em conservação florestal. Entre medidas, há uso de sombreamento com árvores compatíveis, cotas de manejo de água e plantas de sombreamento para diversificar a renda.
Segundo representantes, o esquema paga premium que retorna às cooperativas e investimentos comunitários. A estratégia busca manter a produção sem ampliar o desmatamento, alinhando qualidade e sustentabilidade.
Especialistas destacam que o sombreamento e a diversificação com árvores-fruta podem aumentar a renda e a qualidade do grão. A prática é vista como forma de adaptação às altas temperaturas sem converter florestas em áreas de cultivo.
Otimismo é mantido por pesquisadores: há potencial para ajustar sistemas de produção com a participação de comunidades locais e padrões de produção mais sustentáveis, desde que haja investimento e continuidade das políticas de conservação.
Entre na conversa da comunidade